terça-feira, 28 de junho de 2011

Eulemanha

Como forma de adquirir parte da nota final para a disciplina de Fotografia Publicitária, a professora pediu que os alunos tirassem uma foto de si, para depois manipulá-la em algum programa de edição de imagens a fim de produzir um efeito similar ao da clássica caricatura de Marilyn Monroe realizada por Andy Warhol com no mínimo quatro cores, preferencialmente vibrantes.

A sugestão foi utilizar o Photoshop, e eu até tentei. Pela enésima vez, tentei usar o Photoshop, e é claro que não consegui nada. Não sei como a pessoas mexem nessa coisa. Sou ultrapassado tecnologicamente, talvez - nem com touch screen eu me dou bem. Corri atrás de outro programa, um mais simples, mais fácil. E não descobri. Foi minhã mãe que encontrou algo na linha que eu pudesse mexer. Na verdade, foi o acaso. Ela tinha ouvido falar em um programa de edição de imagens uns dias antes, e por acaso acabei por precisar de um programa nesses moldes dias depois da informação ter chegado até ela.

Eis como ficou o resultado:


Como podem ver, fiquei somente em quatro cores: preto, vermelho, amarelo e branco. Quase uma bandeira da Alemanha.

Ainda preciso tirar aquele "Please register" ali embaixo.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Como analisar um anúncio?

Pergunto-lhes, como analisar um anúncio? Ou melhor, como processar textualmente essa análise mental? O primeiro passo é encontrar um anúncio.

...

Feita tal obstinada escolha,

encontrado o anúncio, o próximo passo é sentar-se e manter os olhos em cima do mesmo por tempo indeterminado até digeri-lo em sua completude.
...
Feita a digestão “gestáltica” da imagem e percebida a estrutura da disposição interna dos objetos ali presentes, é hora de transcrever para o papel tudo de pertinente que se pensou durante esse processo digestivo metafórico.

1. Visual claro, clean, passa uma imagem calma, simpática da marca Lacta. O consumidor pode não ter sua atenção totalmente captada pelo anúncio, mas o visual clean do anúncio foi feito sob medida para evitar a rejeição de qualquer pessoa. Pode até não necessariamente agradar, mas com certeza não irá desagradar.

2. A disposição dos elementos que compõem o todo do anúncio, apesar de assimétrica, é bem ordenada, evitando que o olhar do consumidor se perca. O único elemento que foge um pouco da harmonia é o próprio logo da marca, pois, além de não cair na mesma linha horizontal que as outras palavras do anúncio, aparece muito próximo às figuras dos produtos, gerando certo desconforto visual, ainda que mínimo. O conjunto do anúncio funciona melhor, visualmente, excluindo-se o logo. O que não teria muito sentido, então que fique o logo. Dos males, o menor.

3. Nota-se uma grafia mais grossa nas primeiras palavras da frase: “5 novidades [...] você de boca aberta”. Tal opção se dá devido ao fato de a leitura visual do consumidor se iniciar por este ponto: o canto superior esquerdo. Assim, as palavras reforçam sua presença aos olhos do espectador, chamando mais ainda sua atenção.

4. O uso da fonte assimétrica para as letras funciona para deixar a mensagem mais descontraía.

5. E até se pode considerar isso como uma referência ao estado de êxtase que se tem ao comer um bom chocolate: os olhos fechados, ao mastigar devagar sem a menor preocupação, ao passo em que se geme lentamente um sutil “hum”. A expressão humana que denota prazer gastronômico. A assimetria da fonte, gerando letras grandes, médias e pequenas misturadas, com serifas caóticas, serve como espécie de analogia para esse estado de espírito humano.

6. A ideia da descontração também é reforçada pelo rosto (feminino) belo e jovem que ocupa praticamente todo o lado direito do anúncio.

7. A modelo foi escolhida a dedo, dá para notar, ainda que seus olhos não apareçam, o que é uma escolha inteligente, pois obriga o consumidor a se colocar no lugar daquela pessoa de boca aberta pronta para dar uma mordida. Com o produto sendo uma comida, nada mais justo.

8. Depois, a diagramação das palavras em cone, como que saindo da boca da modelo, além de aproveitar bem a foto, ao formar uma mensagem econômica propondo mais um uso para a boca aberta, aproxima o consumidor através de uma empatia com aquela figura humana. É “ela”, modelo/mulher, que está convidando ele, consumidor, para provar as novidades da Lacta, não o anúncio. Aprofundando um pouco mais, pode-se até associar arbitrariamente o nome “Lacta” à figura da modelo. Ou seja, é a “Lacta-pessoa” (símbolo) que está chamando, e não a “Lacta-empresa” (entidade). Tudo isso em nível inconsciente, claro.

9. E independente disso, ordenar as palavras de modo às duas primeiras frases serem compostas por quatro palavras ao passo que as duas últimas por três ajuda a criar uma harmonia ao campo geral do anúncio.

10. E formando uma tríade com a boca aberta para morder e as palavras saindo da mesma, o resto do texto completa a mensagem, pois ao brincar com o significado das palavras “aberta” e “fechada”, repetindo as mesmas, cria um efeito verbal para representar o ato de mastigar, sem a necessidade de usar qualquer onomatopéia. Do mesmo modo, alternar “aberta” e “fechada” não só horizontalmente, mas na vertical, evitando que a mesma palavra se repita sobre (acima) a outra, complementa o contraste visual da frase, pois reforça a ideia do mastigar, que obrigatoriamente se dá na alternância da boca entre “aberta” e “fechada”.

11. Finalmente, também em função da boca aberta do modo como está, o espectador mais pervertido pode até imaginar que o objeto a ser ali inserido não seja necessariamente um inocente bis, e mesmo isso pode incentivar a compra do produto.

Feita a análise de um anúncio.

Comentário

Recebi hoje um comentário que me incentivou a reviver esse blog. Assim o farei.

domingo, 28 de novembro de 2010

Voltando não do ostracismo, mas do Limbo.

Esse quarto semestre foi de longe o mais decepcionante de todos. Não o pior ou o mais chato (postos que ficam com o primeiro), mas o mais decepcionante. Estritamente esse adjetivo, por que foi o semestre que melhor começou, e pior terminou.

O início foi excelente. Todas cadeiras pareciam promissoras, os assuntos eram interessantes, bons professores. A exceção geram fica com Inglês Instrumental, que já começou um porre, mas vamos esquecer isso por enquanto. O fato é que Teorias da Comunicação, apesar de complicadíssima, parecia muito intrigante, um bem-vindo desafio, se posso falar isso. Comunicação e Cidadania era humano e fácil. E a eletiva História das Literaturas, no Vale, estava o máximo.

Era a melhor de todas. Gostei da professora, e do método de ensino usado, além, obviamente, do conteúdo estudado. Consegui ler o texto exigido para a primeira aula, e fui o aluno que mais comentou. Eu estava gostando e entendendo – o mais importante.

Então, a primeira tragédia. Trocam de professor. Já tinha passado praticamente um mês de aula, e os imbecis tiram a professora, e chamam outro cara. Enfim, que seja. Para o bem ou para o mal, o novo professor era ótimo. Com um porém: mudou completamente o plano de ensino, e eu perdi o pique. Não li os textos, e acompanhava as discussões muito superficialmente. Agora, na hora de fazer o trabalho final, fiquei boiando por horas até encontrar algo que eu pudesse usar.

O foda de ter um professor cabeça aberta é que ele deixa o trabalho muito tua conta. “Cara, tu que escolhe”, é o que ele nos diz. Legal! Mas sobre o que raios eu posso falar em um trabalho de uma cadeira tão ampla quanto História das Literaturas? Eu não sei. Ainda mais eu, que não li quase nenhum texto. É, me sinto um idiota. Eu poderia ter aproveitado muito mais a cadeira, e já estar com um trabalho foda em andamento. Até tive umas ideias boas para o trabalho. Pensei, com a sugestão do meu pai, em fazer algo relacionado a Cinema. Comparar o cânone literário com o cânone do cinema, como um influencia ou não o outro, ou por que o cânone do cinema é tão mais heterogêneo que o da literatura. Legal, né? É interessante, eu gosto. Perguntei para o professor se eu poderia fazer algo assim, e ele deu resposta positiva. Mas aí eu me dou conta que isso é tópico para uma monografia, no mínimo. E eu estou no 4º semestre, e detesto academicismo. Odeio mesmo. Se eu pudesse abolir todas as regras da ABNT, eu faria isso. Então, tá, vou ler mais alguns textos da disciplina para ver se algo surge.

Então, outra ideia: um ensaio sobre a recepção de Sherlock Holmes com o passar dos anos. As diferentes impressões que os públicos de diferentes épocas tiraram do personagem. É um máximo! Eu adoraria fazer essa pesquisa. Mas, de novo, é uma fucking pesquisa! É um trabalho grande, extenso. E eu tenho uma semana, UMA semana pra terminar essa coisa.

Pois é, que merda. Botei fora a chance de fazer algo bem feito e relevante. E agora? Não vou não entregar, e ser reprovado, e me afundar ainda mais naquele ordenamento de merda da UFRGS. Aliás, alguém entende como funciona aquilo? Tá, tente ir o melhor possível e blablabla, mas isso não responde a pergunta, e sim a inflama. Ninguém sabe explicar como operam as engrenagens dessa coisa chamada ‘ordenamento’. E detesto esse nome. E mais uma idiotice do negócio é que se, durante a matrícula tu cancela uma cadeira, tu cai no ordenamento. Entenderam? Eu disse DURANTE a matrícula. Tu te fode se tu ajeita tua matrícula durante o período de fazer isso. What’s the point?! Que seja, não é importante agora.

O que eu quero mesmo falar é que o semestre foi uma bosta.

Teorias da Comunicação também começou promissora, foda. Mas teve tantos feriados no terça-feira, que tu não tinha mais como acompanhar o ritmo da coisa. Eu entrei em ritmo de férias. Por que, porra, a gente não teve aula na terça por TRÊS SEMANAS SEGUIDAS. Assim não dá! Não tem como não entrar na vagabundagem nesse tempo. Tirei B- no primeiro seminário, e A- na prova (não sei como, já esqueci 90% da matéria), e agora falta saber a nota da análise de Cidadão Kane (note que, sendo menor que um B+, eu vou... fazer algo absurdo – ainda a decidir, falta saber a nota do segundo seminário, e ainda tem mais a segunda prova, e depois temos que analisar O Enigma de Kasper Hauser. Só eu e outro cara já tivemos aula com o Alexandre antes. E, tipo, o Alexandre é inominável. Ele é inteligente pra caralho, tem sei lá quantos pós-doutorados (na França), teve aula com o JACQUES DERRIDA, trabalhou COM a Elis Regina (não ‘fez um trabalho sobre’, não, ele de fato trabalho COM ELA), e não tem mais 35 anos – se ele é mais velho que isso, ele dorme em formol, por que, né. Então, eu já sabia o que estava por vir. O Alexandre sabe deixar a coisa interessante, por mais banal ou absurda que ela seja. O foda é que são tantas teorias EXCLUDENTES, que tu não sabe mais o que é certo e o que tá errado. Até que tu aprende que ‘certo’ e ‘errado’ são palavras inexistentes quando se fala em teorias da comunicação. Além disso, outra complicação é que tu não pode usar uma teoria pra completar outra, por que, bom, tu não pode.

Eu já não sei mais em que pé eu estou na cadeira. Com exceção do texto do seminário do meu grupo, sobre O Mundo Codificado (sacou?), eu só li UM dos outros textos desse segundo bimestre. Então é, pois é, tá complicado.

Pra completar a merda da situação, eu notei que eu tenho 7 As, 5 Bs e 6 Cs, e um FF de brinde. Ou seja, um currículo ridículo. Seis Cs. No início eu tava cagando e andando com conceitos e tal, mas agora eu noto que tirar o C no faculdade, mesmo tu sendo aprovado com essa nota, é a mesma coisa que tirar 4 no colégio. Ou seja, é uma nota que te reprova. Por que, sejamos honestos, só o símbolo C já é um símbolo pessimista, já te deixa pra baixo. É literalmente METADE de um círculo, metade de uma circunferência (palavras que não por acaso começam com um maldito C).

Estou querendo trocar de curso, mas o papai e a mamãe não gostaram da ideia. Disseram que o negócio de ter notar medianas é irrelevante, que no final ninguém perguntar quantos Cs tu tirou durante a faculdade; não vão nem perguntar se tu é da UFRGS ou não. Mas, cara, eu me sinto um IDIOTA. Não só pelas notas. Todo mundo que eu conheço faz algum estágio metido à besta. Mas, pra conseguir um estágio, metido à besta ou não, até agora, só já tendo feito um estágio antes. É assim, toda oferta de estágio que aparece é exigindo que tu já tenha “experiência”, que eu já tenha feito estágio antes. Como é que eu vou conseguir “experiência” se, para consegui-la, fazendo a porra de um estágio, eu preciso JÁ TER FEITO UM ESTÁGIO ANTES??? Isso é idiota, é ridículo, um ciclo vicioso. Mais: é um SOLIPSISMO. Palavrinha que descobri lendo a tradução da Crítica da Comunicação do Lucien Sfez. E se tu não fez Teorias da Comunicação, tu provavelmente não entendeu porra nenhuma do que eu acabei de falar. Anyway, isso é só pra expressar minha raiva, meu modo alongado e único de ligar o ‘foda-se’.

E por fim, o motivo de eu ter feito todo esse manifesto inútil de reclamações pessoais, é afiar a escrita, por que eu ainda preciso COMEÇAR a escrever o trabalho de História das Literaturas, cujo assunto abordado será a influência da Estética da Recepção nos estudos dos efeitos da comunicação de massa nos EUA. E eras isso. Agora já passou da 1h, o que é praxe pra mim, mas amanhã eu tenho que acordar cedo (antes das 11h), então não sei como vou fazer pra continuar a escrever sem adentrar na madrugada. Merda.

domingo, 14 de março de 2010

Mais 2 livros

Minhas últimas aquisições literárias:

1) Ensaios Céticos, de Bertrand Russell


Uma seleção de ensaios sobre como o ceticismo pode revolucionar o modo de vida humana. Talvez soe um tanto exagerado - concordo -, mas fazia tempo que eu queria ler alguma coisa desse grande pensador, filósofo, lógico, matemático, e vencedor do prêmio Nobel de literatura em 1950, então essa edição pocket me pareceu interessante. Ensaios Céticos. Veremos. Ah, observação: entre outras coisas, Bertrand Russell era grande admirador de Joseph Conrad <- Esse cara foi um dos maiores romancistas e o maior cético de seu tempo. Foi ele que escreveu Coração das Trevas, livro que inspirou Francis Ford Copolla a fazer Apocalypse Now. Li o livro e vi o filme. Vi o filme primeiro. Li o livro depois. O livro é de 1906. O filme é de 1979. O livro é arrastado. O filme é arrastado. O livro é melhor. Eu não gostei muito do filme. *Ok amigos cinéfilos, a vez que eu vi Apocalypse Now praticamente não deu para assistir ao filme corretamente, por isso, talvez por isso, eu não ache esse filme tão fantástico quanto a maioria dos amantes do cinema.

2) O Macaco Nu, de Desmond Morris


Clássico da literatura científica na área das ciência biológicas e comportamentais, O Macaco Nu é bem 'um estudo do animal humano', como diz o subtítulo. Professores de biologia já me indicaram esse livro e agora que saiu uma nova edição legal por 27,90, não resisti. Às vezes se encontra gente que ainda pensa que o homem não é familiar hereditário dos chimpanzés e companhia. Pois bem, nós somos! O Macaco Nu do título somos nós.

quinta-feira, 11 de março de 2010

História X Publicidade

Hoje foi a primeira aula da cadeira eletiva de História que eu estou fazendo. História Moderna I. É de noite, das 18h30 até 21h50, no Campus do Vale, o mais longínquo de todos, e a cereja do bolo: é cheio de pessoal da História. Eu não tenho nada contra História. Era uma das minha matérias preferidas no colégio, e minha maior nota. No entanto, quando se passa para zona acadêmicas da História, complica. Os historiadores são 99% deles esquerdistas. Mas não esquerdistas-normais (se é que esses existem), mas os historiadores são esquerdistas-maníacos-odiadores-do-capitalismo-e-detestadores-dos-publicitários. Eu sou o único publicitário ali, então... Ai! Não recebi olhares raivosos ou ameaças de morte, mas não sei como vai ser essa aula. Realmente, estou um pouco assustado.

terça-feira, 9 de março de 2010

Introdução à Filosofia da Linguagem

Finalmente encontrei mais um exemplar do livro Introdução à Filosofia da Linguagem, do italiano Carlo Penco - foi na Saraiva do Praia de Belas. No primeiro semestre da faculdade eu sofri muito com a maldita Semiótica, e até agora não entendo o negócio direito. Esse livro parece, PARECE a solução para os meus problemas. Veremos no que resulta essa aventura.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sr. Futuro, e aí?

Esses dias, uma amiga minha começou a conversar comigo sobre futuro profissional. As aulas das nossas faculdades começaram hoje. Eu não estava nem me ligando para o assunto, mas desde que falei com essa minha amiga, não paro de pensar. Está bem, acabo a faculdade de publicidade, e aí? O que vou fazer? Quase todos meus colegas fazem estágio ou trabalham. Eu não. Eu não fazia estágio por que não estava no terceiro semestre, e aparentemente tu antes do terceiro semestre nem estagiário=nada é (ou seja, tu é uma soma negativa de vida). Agora eu estou no terceiro semestre. Quase. Eu não fiz nem metade das cadeiras obrigatórias para o segundo semestre durante o segundo semestre, então agora, no terceiro, estou na prática, ainda no segundo. Legal.

Vamos supor que eu consiga um estágio... Espera, eu não consigo. Eu não sei mexer em Photoshop, então eu nunca vou conseguir um estágio, por que todos estágio de publicidade do mundo querem que tu saiba mexer em Photoshop - mas um Corel quebra o galho. Legal.

Então o que eu faço?

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Malandragem & Nostalgia

Hoje eu fui ver Toy Story no CINEMA EM 3D!! O primeiro filme da Pixar, primeira animação em computador da História, agora relançada nos cinemas em 3D. Eu não podia perder. Fui na estréia. Ou re-estréia! Foi altamente divertido e nostálgico, e a companhia não deixou a desejar também. Ainda acho que o curto curso de cinema de cinema que eu fiz na segunda semana desse fevereiro de 2010 foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida dos últimos anos. O dia foi um prato cheio: eu vi Toy Story no cinema, vi Toy Story no cinema em 3D, e depois tive altos papos com um pessoal bem legal.

E a malandragem é por que eu adicionei como autor aqui a minha outra conta do Google. Sim, eu tenho duas contas do Google, uma com o e-mail e outra com o orkut, é uma confusão do caramba, mas na época foi o que aconteceu. Enfim, com o problema de sempre precisar trocar de uma conta para outra, nada prático, agora eu posso entrar e sair daqui sem a menor incomodação, o que é um alívio!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Voltando do ostracismo!

Vergonha. Que vergonha! Nossa, que vergonha a minha em ter abandonado esse blog por tanto tempo. Tornou-se realidade uma das maiores dualidade dos mundo: o aprendiz superou o mestre. O blog que eu fiz depois deste sugou toda minha atenção, e novo matou o velho. Desde de novembro que não escrevo nada aqui. Isso vai mudar. Mas também vai mudar a premissa do Diário Conspiratório. Enquanto meu outro blog, o Fakeline, se encarregará das minha opiniões sobre cinema e arte em geral, o DC será o meu espaço mais pessoal. Pouco importando a quantidade de visualizações por dia. Uma versão do Twitter com posts maiores do que 140 caracteres. Praticamente um diário. É o que a minha conspiração diária será de agora em diante. Sei que pelo menos uma leitora eu terei.

Estou de volta, e desta vez é para ficar.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vou Enganar Alguém - Contos #4

Vou enganar alguém. Já sei quem. Não sei como.

Eu estava me perguntando, já pela enésima vez, como enganar alguém para um fim específico. Acabei de escrever um e-mail onde faço exatamente o contrário. Falei puramente a verdade, e é o que fez o texto ficar bom. Mas isso porque era algo que exigia sentimentos verdadeiros. O que eu quero fazer agora, não.

O que farei? Ainda estou decidindo, mas com certeza enganarei alguém. Você não deve achar eu consiga fazer isso por me conhecer bem, ou não me conhece de verdade, e não sabe do que sou capaz. Quem eu escolhi para ser enganado já se encontrou a primeira alternativa, porém agora está na segunda.

Ele tem uma irmã, mais velha, mas não velha. Ela namora um conhecido de um amigo meu. E considerando isso, acabo de descobrir o como é que vou enganar alguém.

*

Chamo ele para conversar. Estamos em um bar. Ele não faz idéia do que pretendo fazer. Não sabe o que o aguarda. Lanço a isca. Pergunto como vai a irmã. Mas pergunto de modo a mostrar que pareço estar levemente interessado nela. Não o interessado ‘por amor’. Apenas o ‘interessado’. Ele acha que eu não tenho chance nenhuma com ela. Não, ele não acha. Ele tem ‘certeza’ que eu jamais ficaria com ela. Conduzo a conversa até o ponto em que ele finalmente diz o que eu estava esperando:

- Ah, duvido que tu consiga!

- É mesmo? Tu acha que não consigo? – retruco, provocando e, olhando para o lado, chamo o garçom – A conta, por favor. – Então pego a carteira, com pontas das notas altas aparecendo pela abertura de propósito. E ele olha.

- Não consegue. Duvido... Aposto que não consegue!

Como é? Eu escutei uma voz exclamando ‘bingo’ na minha cabeça? Ele mordeu a isca. Caiu na armadilha.

- Tu? Tu aposta? Eu que tenho dinheiro, e tu que aposta?

- Mas vai... É isso mesmo! Aposto, sim! Sei que vou ganhar.

- Hum...

- E então? Tá dentro?

- Tu tá falando sério? – só aumentando a tentação dele.

- Sim! Vamos lá!

- Tá, tá bem então! Quanto?

Ele olha para a minha carteira, de leve. Calcula. Ali deve ter o quê? Uns R$200,00?

- R$500,00!

- O quê? R$500,00? – finjo surpresa.

- É. Isso mesmo!

- Tem certeza? Não quer abaixar o valor?

- Não. É isso aí ou nada. – ele estende a mão.

- Fechado. – fechamos o acordo.

Agora é só executar a ação.

*

- Rafael, qual é o número daquele cara que tá namorando a Jéssica?

- Porque tu que saber o telefone do namorado da Jéssica? – quase incrédulo.

- Porque eu preciso falar com ele. Sobre ela.

- O que tu tem em mente? – e se vira para buscar caneta e papel. – Não responde... – estica a mão, entrega o número.

- Melhor, faz o seguinte. Chama ele, e com ‘ele’ eu digo ‘os dois’, chama os dois para a festa da Gabriela amanhã.

- Como assim?

- Como assim o quê? Isso mesmo que tu ouviu.

- Primeiro: a festa não é minha para eu convidar qualquer um. Segundo: a festa é da Gabriela, e ela mal conhece o Carlos e a Vitória.

- Vocês dormem juntos, por deus! São um casal. Tu pode convidar duas pessoas se tu quiser.

- Mas eu não quero que ela se sinta mal na presença deles.

- Não ouvi isso. Meu, a Gabriela convida quem ela viu na esquina... ela convida até quem ela não viu!

Ele me olha como se dizendo ‘Tu acha mesmo?’.

- O que tu quis dizer com isso? – desconfiado.

- Que ela é mais amiga de qualquer um que tu escolha convidar para a festa dela do que as pessoas que ela mesma convidar.

- Não sei se gosto do teu tom. – fala isso já o tom de voz dele mesmo meio debochado, e abrindo um quase sorriso. Ele concordava comigo. Retribuo no mesmo gesto.

- Tu já vai convidar o Vicente, não?

- É... Vou.

- Então já chama a irmã com o namorado também! É simples. Tu pode dar essa desculpa para a Gabriela, se ela se incomodar, o que eu duvido que aconteça.

- Tá bem. Mas depois tu me conta o que tu tá tramando.

- Certamente.

*

Ao som do tuntzi-tuntzi, abaixo de luz piscando, em meio a pessoas se mexendo aleatoriamente enquanto pensam que dançam:

- Então eu disse para ela que queria ver ela de novo, e...

- Cara – corto a fala dele. – Pode parar.

- Hã?

- Chega desse papo sem nexo. Eu te chamei aqui para outra coisa.

- Ei, como assim? Não foi tu que me convidou. – quase ofendido.

- Foi. Tu e a tua mina...

- Ei!

- ...só estão aqui...

- Ei!

- ...porque eu quis isso. - Mantenho o meu monólogo ignorando completamente as perguntas dele. Mal olho para a cara dele. Faço movimentos com as mãos. Pareço um advogado italiano, mas calmo e controlado. Ele percebe que perdeu o controle sobre a conversa, e quer isso de volta. Mas não vai acontecer. Ele continua com as tentativas de intervenções.

- O quê?

- Tem uma coisa... – faço uma breve pausa.

- Ô!

- Tem uma coisa que eu queria falar contigo...

- Pera aí...

- ...que pode te interessar.

- Te liga, cara! – ele começa a se levantar.

- Vou direto ao assunto. – levanto a voz, me inclino um pouco para frente, e fixo comprometedoramente os olhos nele. – Tu quer ganhar uma grana?

- Como é?

- Isso mesmo que tu ouviu. - enfatizo a fala com um olhar sério.

- O que tu quer dizer com ‘ganhar uma grana?’. – ele senta, também se inclina, e fala num tom de voz mais baixo.

- Fazer algo, e receber pagamento em troca.

- Não sei, não. Teu papo tá muito estranho.

- É fácil, e não é ilegal, se é esse o problema. – abro um sorriso sarcástico.

- O que é?

- Quer a grana ou não? Primeiro tu me responde isso. Só depois de ter certeza que tu está disposto a ganhar dinheiro é que eu posso te dar a chance de ganhá-lo. Entende? – arqueio a sobrancelha, de leve.

Ele gesticula que sim. Vamos para um canto com menos gente e menos barulho. Explico rapidamente.

- É só isso? – ele pergunta

- É só isso.

- É só isso mesmo?

- É só isso mesmo.

- Beleza. Eu falo com ela.

- Ela vai aceitar, não? – ele deve ter notado que essa foi uma pergunta retórica.

- Porque eu acho que se você não tivesse certeza de que ela iria aceitar, jamais teria falado comigo? – sinceramente, eu não esperava uma resposta tão boa quando esta. Uma luz. Ele entendeu meu jogo perfeitamente. De certo já deve ter participado de outros.

- Exato.

*

Às vezes eu me pergunto como é grande a influência de uma pessoa sobre a outra. Fico admirado. Se qualquer desconhecido na rua tem o poder de fazer com que você se vista de forma a evitar que ele pense coisas sobre você que você não quer que ele pense... Então qual o poder que alguém que você já conhece tem sobre você? É maior? Bizarramente, ele pode ser menor. Pois quando você conhece alguém, não precisa impressioná-lo superficialmente por fora, uma vez que ele já sabe quem você é por dentro. Em contrapartida, se você mesmo que acidentalmente faz algo que deixa uma impressão ruim da sua pessoa em alguém que já conhece você, você se sente pior do que se deixasse uma má impressão da sua pessoa a um desconhecido. Interessante, não? Pessoas são complexas, complicadas, inexplicáveis... manipuláveis.

- Velho, tu vai me dar aqueles 500 reais é hoje. – digo.

- Hahaha! Quero ver. Hoje? Porque hoje?

- Na festa da Gabriela.

- Bah pior. Nem estava afim de ir. Tinha esquecido... – parece divagar.

- É bom que tu vá.

- Por quê?

- Para me ver ganhando a aposta.

- Mas como assim? O que a minha irmã tem a ver com isso?

- Foi convidada para a festa.

- Mesmo é? Como tu sabe?

- Tu sabe como é a Gabriela: ela chama todo mundo.

- Ah é... Então tá. Eu vou! – sorri ingenuamente como se tivesse a maior certeza do mundo de que será ele o vencedor da nossa aposta. Coitado.

*

Haveria jeito mais fácil? Olho para o meu amigo que me dará R$500,00 em um futuro próximo. Ele sorri. ‘Essa eu quero ver’, deve estar pensando. Estou caminhando em direção à irmã dele. ‘Essa eu quero ver’, deve estar pensando ele. Ela está de costas para mim, balançando o corpo bem de leve ao ritmo da música. Toco em seu ombro direito.

- Jéssica, oi. – digo. Ela se vira. Eu pisco um olho.

- Oi.

Pronto. Vocês já entenderam a minha jogada, não?

- Quer dançar?

- Claro.

- Seu namorado não vai se importar?

- Não.

- Tem certeza? É melhor perguntar. Deixe-me fazer isso. – então me volto para Carlos, que está sentado ali do lado – Carlos, se importaria? – mostro a ele que estou com sua namorada em meus braços, prestes a dançar. Pisco um olho. E sabe o que fazer. Levanta-se, faz um gesto para que Jéssica o siga. Eles se afastam um pouco. Conversam com muitas gesticulações, mas o suficiente para que não pareçam estarem brigando. Discretamente, olho o Vicente. Ele está de braços cruzados, quase rindo. Perfeito. Carlos e Jéssica voltam. Ele se senta, com a cara meio fechada; ela me puxa devagar para a pista de dança. Ela tem a visão sobre o Vicente. – Me faz um favor... – pergunto, já dançando – Me diz qual a expressão do seu irmão nesse momento.

- Ele está pensativo.

- Daqui 30 segundos...

Passam 30 segundos.

- Continua na mesma.

Na dança, a conduzo para mais perto do Vicente, e girando, trocamos de lado. Agora eu encaro ele. E minha mão que está na cintura dela desse devagar...

- Agora você me diz a cara dele. – ela fala.

- Os olhos estão se abrindo, espantados... Veja você.

Enquanto nos viramos, nos beijamos, bem de relance, só para o Vicente ver. Não estou vendo o rosto de nenhum dos dois, mas acredito que ele esteja com o queixo no chão, e ela esteja com o olhar mais malicioso que já fez na vida. Não devo estar tão longe da verdade.

- Então?

- Parece que viu um fantasma. – comenta rindo. Eu também ri.

- Vamos então?

- Vamos.

Enquanto caminhamos em direção ao Rafael, Carlos não nos vê, mas Vicente sim. Perguntamos se podemos ‘entrar na casa’. Eu já estou com a gravata na mão. Enquanto a Jéssica fala com a Gabriela, fofocas, eu só boto a gravata na maçaneta da porta que estava ao lado, e o Rafael entende. Quase não acredita, mas entende. ‘Então era isso, malandro’, deve pensar. Pega uma chave.

- É o da sacadinha para esse lado?

- Não. Por quê?

- Nós realmente gostaríamos desse da sacadinha, cara.

- Tá bem.

Pegamos a chave, subimos. Entramos no quarto, e acendemos a luz. Então apagamos a luz. Olho discretamente para fora, para o Vicente. Se antes ele parecia ter visto um fantasma, agora ele parecia um.

- Ele caiu.

Ligamos a luzes, e deitamos na cama. Apagamos as luzes.

*

- Então?

- O quê?

- Onde estão meus R$500,00?

- Ah...

- Meus R$500.

- Eu, eu... Não acredito ainda... Tu comeu minha irmã!

Minha resposta é um sorriso que diz ‘E tava bom’.

- Como é que tu conseguiu?

- Não interessa. Aposta é aposta.

- Vai te fuder. – ele me passa a grana. Eu tenho a arrogância de contar as notas na frente dele.

- Tudo certinho. Prazer fazer negócios com você. Tchau!

- Já vai?

- Já fui.

*

- Carlos, aqui. – entrego o envelope. – Tua parte.

- Hehehe. – ele olha o conteúdo. – Legal. E a parte da Jéssica?

- Quem disse que ela fez aquilo por dinheiro?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O Caos Reina no Anticristo em mim

Hoje foi um dia muito peculiar. Precisando fazer a recarga no TRI, fui de carona com a minha mãe até o centro. Cheguei ao local, entreguei o recibo e o cartão. Recebo o cartão recarregado com 115 reais em passagem de ônibus, e pergunto:

-Tu sabe como eu faço para ir até o aeroporto?

Ela faz aquele olhar de quem acaba de sentir cheiro de peido. ‘Hum...’. Murmura com a colega do lado, que responde:

- De trem.

Minha vez de fazer aquele olhar de quem acaba de sentir cheiro de peido. Mas elas dão a explicação direitinho e convencem.

Nunca tinha andado de trem. Fui até a estação, ao lado da rodoviária, paguei a passagem (mais barata que o ônibus, acreditem), esperei pouco no terminal, entrei no trem, chego à Estação Aeroporto, não deu 10 minutos a viagem (mais confortável que o ônibus, acreditem). Gostei do trem.

Com horário mais do que folgado, 15h03, caminho pelas passarelas aéreas (que deviam existir por toda cidade) até o ponto de espera pelo microônibus da Infraero, que leva de graça até o Aeroporto quem chega do trem.

Vou direto para a bilheteria do Guion, e descubro que eles só começam a vender os ingressos 15 minutos antes da sessão – uma atitude que considero absurdamente idiota, mas vá lá. Então desço um andar e me dirijo para a revistaria/livraria que há no outro extremo no aeroporto. Lá sempre têm LP&M pockets em bom estado, e com títulos interessantes. Compro O Mercador de Veneza, do Shakespeare, e A Morte de Ivan Ilitch, de Leon Tolstoi. Afinal eu ainda tinha mais de uma hora até 16h15.

Passo então para o McDonalds e peço:

- Dois Chikens McJúnior e uma Coca pequena.

- Dois Chiken McJúnior... Coca média?

- Coca pequena.

Ela repassa a encomenda aos outros.

- Só aguardar aqui do lado.

Não sei porque ainda nos falam isso. Espero ali do lado. Chegam um Chiken, uma Coca, um leve empurrão da bandeja em minha direção, e um sorriso dizendo ‘Pronto’.

- São dois Chikens.

- São dois Chikens? – pergunta para a caixa que me atendeu.

- São dois Chikens. – responde a caixa que me atendeu.

Vem mais um. Saio, sento e como.

Ainda com a Coca inacabada – não sou o mesmo consumidor de refrigerantes que era, o gás dificulta a ingestão e a apreciação do líquido agora – preciso ir ao banheiro. Tranquilo. No aeroporto os banheiros são no mínimo não-sujos, e tem aquele mármore onde colocar a bagagem de mão dentro da cabine.

Terminado, vou em direção ao Guion, sento numa das cadeiras do Café Guion, e aproveito os minutos restantes até as 16h para ler um pouco da suposta comédia shakespeariana – vi a mais recente adaptação cinematográfica da peça, O Mercador de Veneza (The Merchant of Venice, 2005), com Al Pacino, e ela não se parece em nada com uma comédia, aliás, é um dos melhores dramas de época que já tive o prazer dever no cinema.

Chega a atendente, paro na ‘fila’ (um sujeito tinha chegado segundos antes de eu me levantar da cadeira), e compro o ingresso sem o menor problema. ‘Sem o menor problema’ porque Anticristo (Antichrist, 2009) é para maiores de 18anos, ainda não tenho 18 anos, e geralmente não tenho cara de quem tem 18 anos. Tudo certo. Também se implicassem eu já estava analisando as possíveis maneiras de barganhar a entrada (uma delas sendo contar que só tenho dezessete anos até durante as próximas 72 horas). Brüno (Brüno), Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds) e Gamer (Gamer) são os filmes para ‘maiores’ que, nessa ordem, eu vi no cinema esse ano. Só para o primeiro pediram minha carteira de identidade – e ou o mané não notou que eu não tinha 18, ou deixou passar, e por dois motivos: ‘ele faz 18 esse ano’ ou ‘ele está com alguém de 18 e faz 18 esse ano’. Se não perguntaram minha idade em Bastardos Inglórios, era porque eu estava com mais pessoas, e se não perguntaram em Gamer, era porque eu parecia ‘maior’ (embora a caixa parecesse meio desligada). Agora para Anticristo, eu tinha quase certeza que pediriam minha identidade. Isso porque é o filme mais polêmico do ano. No Brasil o filme não foi muito falado na mídia (saiu uma crítica da Isabela Boscov na Veja, mas eu não li porque foi a Isabela Boscov que escreveu, e porque saiu na Veja.), mas em Cannes a platéia ficou chocada (tá, são franceses), e o público geral teve reações à lá Jogos Mortais 3 (Saw III, 2006) – o mais violento de todos, que fez pessoas desmaiarem na Inglaterra (mas tá, são ingleses...). Então, mesmo sem o mesmo ‘auê’ no Brasil, pensei que não me deixariam em uma sessão (a única) de Anticristo.

Mas deixaram (e ainda bem que deixaram!). Pude finalmente ver um filme do mestre Lars Von Trier no cinema. Dele eu só tinha visto Dogville (Dogville, 2003), quase no cinema, na Sala Redenção da UFRGS, esse ano mesmo (adorei). O renomado diretor sueco tem sua fama por fazer filmes difíceis, densos e fascinantes. Dogville é assim.

Anticristo também.

É complicado achar palavras que descrevam Anticristo. É um filme diferente, porém não mais diferente que um filme comum. Estranho? Falar de Anticristo é tão estranho quanto o próprio filme e a experiência de vê-lo (no cinema). Pode-se interpretar o longa de duas formas: um drama sobre um casal que perdeu um ente querido, e uma ‘mostra’ das repercussões desse ocorrido, por meio de simbolismos; ou um terror psicológico com coisas sobrenaturais. Realmente eu prefiro ver o filme como uma mistura dessas duas opções. Serve tanto como um forte drama, quanto como um eficiente terror. De qualquer forma, é um filme que apresenta uma tese sobre o comportamento humano. E é complicado. Claramente coisas acontecem de forma explícita na história. Por outro, o único modo de entender isso direito, é preciso prestar atenção em coisas que não acontecem. Certos detalhes, referências visuais, palavras chave, gestos sutis. Caso contrário ao final do filme você pensará ‘O quê?’.

Tamanho é o minimalismo com que Von Trier ajeitou esses detalhes ao longo da história que eu não consegui perceber todos eles. Mas eu sei que eles estão lá. Como eu sei? Porque se notei alguns pontos que servem de explicação para algumas das coisas que acontecem aparentemente sem explicação, acho muito difícil que em uma revisão do filme eu não ligue os pontos que faltam. Do meu ponto de vista, entendi 2/3 do filme, e se eu encontrei uma interpretação que cobre 2/3 do que o filme apresenta, acredito que o 1/3 que resta pode ser explicado do mesmo modo. Só preciso ver de novo. E eu adoro precisar ver de novo! Não considero ruim um filme precisar ser visto mais uma vez para ser compreendido. Pelo contrário, acho isso uma qualidade, isso faz do filme uma divertida atividade de lógica, um quebra-cabeça intelectual. Cidade dos Sonhos (Mulholland Dr., 2002), obra-prima de David Lynch, 2001: Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968), considerado por muitos a melhor ficção científica do cinema, e Clube da Luta (Fight Club, 1999) são três filme que, caso você veja uma vez só, não absorvera tudo que eles têm para oferecer. Então, se quiser ver Anticristo, saiba que provavelmente precisará vê-lo de novo para entender tudo. A não ser, é claro, que você considere os acontecimentos do filme apenas como cenas de terror gratuito – o que eu duvido.

Se por acaso Anticristo não tenha conteúdo nenhum, a produção se encarrega de pelo menos dar uma bela forma a esse ‘nada’. Imagem e som trabalham juntos para nos mostrar as dores, os arrepios e as tristezas que os protagonistas sofrem. E que trabalho incrível! Penso se essa não é a primeira vez que sou testemunha de um uso tão espetacular da edição de som. Preciso dar os parabéns para a equipe de edição sonora, coordenada por Kristian Eidnes Andersen. Uau! Sério, tentem prestar atenção no som. Nunca as pessoas notam a paisagem sonora dos filmes, apenas as ocasiões em que uma melodia musical marcante ou canção é tocada – e se o autor é um conhecido do público então, daí é o filme que perde atenção. Oscar de Edição de Som (ou Mixagem; não sei diferenciar ainda, mas sei que são diferentes). A fotografia de Anthony Dod Mantle é impecável. Fazendo uso de uma paleta de cores cruas que dão uma atmosfera tétrica essencial ao filme (afinal, é um terror), também resultando em vários quadros que, fora do contexto aterrador que ganham no filme, ficariam lindos emoldurados em uma parede (vale dizer que a cena foto do cartaz, aí em cima, já pode ser considerada como antológica, e a mesma coisa para a última imagem do capítulo 5). Aliás, quase todo o filme, com a exceção de certas passagens (fáceis de notar), é bonito de se olhar:


(No entanto, friso na questão de imagem e som trabalharem juntos porque todas as cenas, todas as cenas (!) não chegariam a fazer nem uma vírgula do efeito que causam se a imagem e o som não estivessem harmonizados).

Von Trier escreveu um roteiro onde somente duas pessoas interagem durante o filme todo. Tirando os figurantes que surgem na tela porque menos de um minuto no início, todo elenco se resume a dois nomes: Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe (os dois absolutamente irrepreensíveis!). ‘Ela’ e ‘Ele’, literalmente. Sim, seus personagens não têm nomes. É verdade. E nós mal notamos isso. É o relacionamento de um casal. Os casais se chamam por segunda pessoa do singular ou apelidos afetivos – neste caso nem apelidos, mas enfim. Só que mesmo assim os personagens sempre têm um nome! É obvio que Von Trier poderia ter inventado um nome para cada um, mas o que ele fez foi muito melhor, e mais inteligente. Não chamando seus personagens por nomes, ele faz com que a mensagem do filme seja mais abrangente. Ele quer mostrar que o que acontece com Ele e Ela pode acontecer com qualquer ‘Ele’ e ‘Ela’. Entendem? E é mais profundo ainda.

O que o filme nos mostra – ao menos o que eu acho que o filme mostra – e o que pode ter dado a parecer preconceito por parte de Von Trier, é o papel da mulher na nossa História. Não exatamente o papel da mulher, mas o papel para a mulher. ‘Ela’ estava escrevendo sua tese, uma pesquisa sobre exatamente o que filme trata, que chamou de ‘Gynocide’. ‘Gynocide’ é uma palavra que perde o trocadilho em português, pois é uma palavra que combina duas palavras que combinam em inglês somente: genitais e genocídio. O trabalho d’Ela é metalinguisticamente o próprio filme que estamos vendo. O ‘Genocídio dos Genitais’ recebe seu momento carnal em Anticristo (não darei detalhes). Acredito que uma das facetas da explicação de Anticristo se dá através dessa específica relação entre a destruição do genital da mulher durante torturas na Idade Média por parte da Inquisição, o porquê disso e suas conseqüências na mente da mulher. Esse é apenas um em meio a um monte de crueldades que o Homem causou na Mulher – Von Trier apenas o usa como fio narrativo principal, mas faz menção, no geral, a toda a crueldade injustamente sofrida pela mulher. Quero dizer, para mim essa é a razão do filme. Quem termina de ver pode pensar que é justamente o contrário, agora qualquer um que tenha visto Dogville sabe que a última coisa que Von Trier teria é preconceito pela Mulher. Isso somado à incrível habilidade do diretor em dizer coisas sutilmente, é o suficiente para eu acreditar que o terror psicológico e as cenas de horror físico presentes no filme não são gratuitos e devem ter um significado mais profundo. Há vários eventos aparentemente incompreensíveis ao longo da projeção. Por exemplo, o pássaro que brota do chão, e outros animais em situação no mínimo bizarra. Aliás, os animais, e a Natureza em si têm um papel extremamente importante no filme. Creio ser o elo entre as coisas que acontecem e as que não acontecem.

Como eu avisei, escrever sobre Anticristo é estranho; logo, ler sobre também o é. Provavelmente esse texto vai parecer confuso e/ou mal escrito, mas tentem não jogar toda a culpa em mim. Imagino ter conseguido ao menos martelar na cabeça de vocês que Anticristo é um filme diferente.

Agora já posso dizer por que meu dia foi peculiar. Lá pela metade do filme eu começo a já preparar o que iria escrever sobre o filme. Se fosse só sobre o filme, tudo bem, mas acontece que desde que saí do cinema comecei a narrar os acontecimentos do dia para mim. Tratei o dia como o capítulo de um livro ou como um filme mesmo. Foi muito engraçado.

Quando o filme terminou, 18h02, pensei em ficar no aeroporto e assistir a Che 2 – A Guerrilha (Che: Part Two, 2008), mas acabei indo ao terminal do T11, e logo que este chegou foi o primeiro a entrar. Nunca tinha sido o primeiro a entrar no ônibus. Sentei no fundo, em cima na roda, mais alto, as pessoas não gostam, mais chance de ninguém sentar ao meu lado. Subindo o viaduto na frente do aeroporto, constato que levarei muito, muito tempo para voltar para casa. Olho pela janela, 18h08, um engarrafamento quilométrico. Porém não me incomodo. Naquele instante eu estava me sentindo muito feliz. Independente (quase), adulto (quase), pensei ‘Não preciso de um carro’. E vendo aquela fila de carros absurda, imaginei se não seria melhor ter pegado o trem de novo, e então mais um ônibus. Ou ter ficado para ver Che 2.

O fato é que realmente o T11 demorou, e muito, para chegar ao outro terminal, onde eu desci. Um CD e meio do Iron Maiden. Isso mesmo. Vocês têm noção de quanto tempo é isso? Desço do ônibus só às 19h22. O telefone não funcionou, então não consigo avisar a minha mão que cheguei (ela queria que eu ligasse para que ela fosse me pegar). Espero uns minutos, e sigo caminhando. Vendo de relance a cor do céu, ao invés de ir direto para casa, vou em direção a uma praça que possui uma vista fantástica do pôr-do-sol. Fico ali até terminar a última música do segundo CD do Iron que eu estava ouvindo. Não percebo a incrível rapidez com que o tempo passou desde eu chegar ao fim da linha do T11 até aquele momento. Já são 19h42! Mas valeu a pena. Ver o um pôr-do-sol tão fabuloso não estava nos meus planos.

Ainda quebrando o planejamento inicial de ir direto para casa, faço o caminho que ninguém mais conhece por aqui. A trilha do mato. Já estava quase escuro, havia um diálogo interno na minha cabeça:

- Eu não deveria.

- Mas eu vou.

Quando vi, já tinha entrado. Quando Alexander The Great tinha acabado lá em cima da praça, botei a trilha sonora de Coraline (Coraline, 2009) nos ouvidos. Não sei se foi coincidência, mas entrar em um caminho no meio da floresta, abandonado na prática, quase de noite, ouvindo as melodias que Bruno Coulais compôs para um filme de terror infantil (não só uma aventura fantástica, Coraline é um raro terror infantil, perfeito)... Essa situação era perfeita para refletir sobre Anticristo: um filme de terror que se passa no meio de uma floresta (não por acaso chamada de Éden). Eu estava tenso, muito, muito tenso. Mas não por causa do medo do sobrenatural, em parte presente em Anticristo, e sim em função dos humanos que eu poderia encontrar ali. Talvez meu inconsciente tenha trabalhado de forma a me fazer experimentar algo parecido com o que acontece no filme para que dessa forma eu pudesse entendê-lo melhor. Não sei. Mas não aconteceu nada. Foi apenas gratificantemente tenso.

Chego em casa às 20h, tomo banho, e já começo a escrever esse texto. Aí se dá a explicação do título desse post: O Caos Reina no Anticristo em mim. ‘Que coisa feia!’, ‘Ai que cara depressivo’, podem pensar alguns ao primeiro ler o título sem prestar atenção no que ele significa. Bom, todo mundo que já falou comigo sabe que eu sou um sujeito cético e ateu. Logo, Anticristo em mim, serve tanto para representar essa minha faceta, como também uma indireta de que eu escreveria sobre o filme Anticristo. E O Caos Reina, primeiro porque é uma fala presente em Anticristo, depois porque contatei isso fortemente durante dia (e noite). Eu não tinha planejado ver o pôr-do-sol, nem entrar na trilha do mato, nem narrar o dia para mim mesmo, nem comprar os livros com comprei no aeroporto, nem várias coisas. Um exemplo forte, eu tinha planejado terminar esse texto no mesmo dia em que o vivi. Estava super empolgado em contar tudo nos mínimos detalhes. Mas não deu. Fiquei com sono, e fui dormir (conseqüência de ter ficado mais do que o normal de horas acordado no dia anterior). E agora termino de escrever no dia seguinte, sem encontrar as mesmas palavras e combinações de palavras que eu estava pensando ontem. Então O Caos Reina no Anticristo em mim é, na real, um título bonito. Considero qualquer coisa anti-religião como boa. E caos não é uma coisa ruim. Não fosse pelo caos nunca teríamos surpresas durante nossa vida, e pelo menos eu adoro surpresas.

domingo, 18 de outubro de 2009

Nasce mais um!

Fiz um blog especialmente dedicado ao cinema.
http://fakeline.wordpress.com

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Um baque - Contos #3

Eu sabia que a inspiração não era pouca! Foi mais um conto!

Pac.

Já devia ter ido dormir. Mas não posso. Algo me intriga. Não sei o que é.

Pac.

Um ruído.

Pac.

Viro-me cama. Ligo abajur na cabeceira.

Pac.

Levanto a cabeça. Tento ouvir melhor.

Pac.

Sento ao lado da cama. Boto os óculos.

Pac.

Levanto. Caminho até a porta do quarto. Está entreaberta.

Pac.

Fecho-a. Viro-me em direção a cama. Sento. Escuto de novo.

Pac.

Estranho. Levanto. Vou até a porta de novo. Inclino a cabeça. Encosto o ouvido na madeira.

Pac.

Sem ranger, abro a porta lentamente. Apenas até a fresta ficar grande o suficiente para botar ali minha orelha.

Pac... pac... pac...

Choveu na noite anterior, mas não é uma goteira. É um som mais abafado. Um baque.

Pac.

Abro mais a porta. Coloco o rosto para fora do quarto. Fecho os olhos.

Pac... pac... pac...

O que pode ser? Não faço idéia. Vou descobrir. Abro a porta completamente. Ela range um pouco. Não sei dizer se isso é bom ou ruim.

Tenso!

PAC!

O barulho ficou mais forte. De repente! Mais como?

Tenso.

O barulho parou depois de ter ficado momentaneamente mais forte.

Tenso.

Está escuro. Dou um passo.

Tenso.

Não vou ligar a luz. É melhor não.

Tenso.

Estou na frente da escada.

Tenso

Desço o primeiro de grau.

Tenso.

O segundo...

Tenso.

O terceiro...

Tenso.

O quarto...

Tenso.

O quinto...

Tenso.

O sexto...

Tenso!

Paro de súbito. Algo me deixa inquieto. Não sei o que é.

Pac.

O barulho!

Pac.

O barulho voltou!

Pac.

Desço mais um degrau. O sétimo...

Pac.

Vou bater o pé com força. Ver o que acontece. O oitavo...

Pam!

Pac.

O barulho respondeu?! Foi logo em seguida! Vou fazer de novo. O nono...

Pam!

Pac!

Ele acelera á medida que eu piso! Mais rápido. O décimo... o décimo primeiro...

Pam! Pac! Pam! Pac!

O décimo segundo... o décimo terceiro... o decido quarto...

Pam! Pac! Pam! Pac! Pam! Pac!

Tropeço.

Tenso.

Caio.

Tenso

Chego ao segundo andar.

Tenso.

Silêncio de novo!

Tenso.

Sinto a perna direita.

Tenso.

Levanto.

Tenso.

A perna dói.

Tenso

Caminho até o próximo lance de escadas.

Tenso.

Desço o primeiro degrau.

Tenso.

O segundo...

Tenso.

O terceiro...

Tenso.

O quarto...

Tenso.

O quinto...

Tenso.

O sexto...

Tenso!

O sétimo!

Tenso!

O oitavo!

Tenso!

O nono!

Tenso!

O décimo, com força!

Tenso!

Pac!

Desgraça! O que é isso?! Mais uma vez! O décimo primeiro...

Pam! Pac!

Pulo os três últimos degraus.

PAM!

PAC!

CLAC!

Uma dor lancinante! Ah! Minha perna!

Pac.

Isso não pode estar certo.

Pac.

Uso os braços para me apoiar.

Pac... pac... pac...

Dobro o joelho esquerdo.

Pac... pac... pac...!

O barulho começa a se intensificar!

Pac... pac... pac...!

E vem em minha direção!

Pac... pac... pac...!

Levanto de novo.

Pac... pac... pac...!

Mal me apoio na perna direita, ela dói, aguda.

Pac.

Viro-me em direção ao terceiro lance de escadas.

Tenso.

O primeiro passo.

Tenso.

Quieto de novo.

Pac.

Não.

Pac!

O que diabos é isso?!

Pac... pac... pac...!

Mais um passo. O segundo...

Pac... pac... pac...!

Mais alto ainda! O terceiro...

Pac... Pac... Pac...!

Ah!

Pac... pac... pac...!

Chego na escada.

PAC! PAC! PAC!

Não! Para!

PAC! PAC! PAC!

Desço o primeiro degrau.

PAC! PAC! PAC!

Mais um... o segundo...

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

Mais um... o terceiro!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

O quarto!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

O quinto!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

Vou conseguir! Estou quase na metade! O sexto!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

De relance, olho para trás.

Tenso.

Ahhhh! Como assim?! Vai parar agora?

Tenso.

Respiro de vagar.

Tenso.

Olho para frente de novo ao dar mais um passo. O sétimo...

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

PAC! PAC! PAC!

Ahhh! O horror! Pulo o resto da escada!

Pac.

Sendo Espontâneo

Aos poucos interessados, aos transeuntes passageiros, com perdão do pleonasmo, saibam que estou feliz hoje. Uma série de acontecimentos que eu chego a chamar até de louváveis ocorreram comigo nos últimos cinco dias. Já os registrei do melhor modo possível. Escrevi-os à mão, sem preocupações quanto aos futuros olhos que passearão sobre minhas palavras, às quais usei da maneira mais espontânea possível, sem me preocupar com as frases que seguiriam a que escrevia no momento. Algo que só consigo fazer com papel e caneta - lápis não tanto, pois a possibilidade de apagar e reescrever são certo empecilho no ideal de espontaneidade. E sim, eu sei que apenas o fato de querer que a escrita saia espontânea já é algo que de certa forma impossibilita a espontaneidade da mesma. Porém como tudo que falamos e o que falam para nós não é espontâneo, tudo é planejado, mesmo que inconscientemente, sei que o ideal do ‘espontâneo’ nunca será atingido completamente, então faço o que posso para que o que impede essa espontaneidade esteja sempre em pequena escala. E funciona. Ao menos funciona para mim.

A inspiração está subindo e fermentando-se em meio aos neurônios descansados que perambulam em meu córtex cerebral. Chego até a improvisar um poema para a minha prima, ao responder o porquê de eu estar sorrindo em determinada foto. Afinal, eu não sou muito sorridente! Mas isso está mudando. Nem foi intencional que ‘Sorrindo, rindo e fazendo rir. E cantando! E compondo. Quase estudando. Quase amando. Um estrondo. ’ soasse poeticamente. Somente o ’um estrondo’ foi adicionado depois, com a determinação de rimar com ‘E compondo. ’. Não é grande coisa, mas é bonitinho, não?

Antes mesmo de eu perceber a recorrente sessão de coisas boas na minha vida, parte da inspiração que falo já estava bocejando de um sono profundo. Primeiro foi ajudar um amigo e escrever e compor uma música – de amor. Uma música que a princípio eu vi como exercício prático, somente, porém logo abracei a causa, e gostei do que estava fazendo. Uma letra simples, mas com emoção, verdade nos versos, acompanhada por uma melodia melosa no começo, e divertida do meio para o fim:

I was trying to change

You were my first opportunity and I couldn’t miss
But my body felt weaker, my brain could not think
And I didn’t find the right word to say to you

Right now is all mixed up, false and true
With everybody telling me things I should do
Don’t know if listen to them will help me thru

My thoughts don’t make any sense
Help me please, give a chance
Now I’m being corrupted by the pain
‘Cause I can’t even look at your bright eyes once again

Again, again, again
Again, again, again
Again, again, again

Today is time not to rewind
Those I thought was my friends I don’t want to remind
Today is time for me to find
The right way up, before I get blind

Today is time to make a stand
All by myself, without a helping hand
Today is time to time to meet new people
To make new friends, to move along
And tomorrow will be time to try again

Again, again, again
Again, again, again
Again, again, again

Caso fiquem dúvidas, o nome da música é Try Again (Tentar de novo). Tocá-la no Festival de Bandas do meu antigo colégio foi recompensável, apesar da nossa apresentação irregular. Nossa, digo, porque éramos três. Três violões somente. De onde derivou o nome da banda: Three Chords (Três Acordes). Dêem uma opinião sobre a letra! Se gostaram, orgulho-me em dizer metade do mérito é meu; se não gostaram, apenas retruco dizendo que só escrevi metade (muito embora a melodia seja só minha; digamos, fiz 2/3 da música, mas esses 2/3 só existem por que outra pessoa fez o 1/3 inicial, então a maior mérito é dele, e caso esteja ruim a maior parte da culpa é minha).