sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Les Chats
The Apewulf
Ilhado por culpa da chuva que não acaba mais, e mesmo com o computador estragado, usando o laptop da minha mãe finalmente consegui começar a editar meus videos. O primeiro está mais para uma projeção de slides, somente porque o editor de video não estava reconhecendo meus arquivos, então me contive nas fotos. São fotos das minhas gatas, do meu gato, da gata do meu vô, e do gato do meu tio. Mas aqui porei primeiro o segundo vídeo.
Esse foi mais sorte que qualquer coisa. Fazendo uso de outro programa editor, bastante simples, porém eficiente, por acaso deu certo a combinação entre uma filmagem de um bugío que eu havia feito no início do ano e a música de abertura do filme A Lenda de Beowulf (composta por Alan Silvestri). Eu não tinha preparado nada, apenas coloquei o filme a música juntos e ficou bem legal. Chamei de 'The Apewulf', e muito embora um bugío não seja um 'ape', e sim um 'monkey', evocando a liberdade poética, me dei ao luxo de chamá-lo assim.
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terça-feira, 1 de setembro de 2009
Agosto no Cinema
01 – O Vingador do Futuro - **** - TV
02 – O Silêncio dos Inocentes - ***** - DVD
03 – Sob o Domínio do Mal - **** - TV
04 – O Incrível Hulk - **** - TV
05 – As Bruxas de Salem - ***** - TV
05 – Crimes e Pecados - **** - TV
06 – A Outra - **** - TV
07 – Um Dia de Cão - ***** - DVD
09 – Chinatown - ***** - TV
11 – O Roqueiro - **** - TV
13 – Inimigos Públicos - ***** - Cinemark BarraShopping
14 – Arraste-me Para o Inferno - *** - Unibanco Arteplex*
14 – As Horas de Verão - ***** - Unibanco Arteplex
15 – Sherlock Holmes e a Mulher de Verde - **** - TV
15 – Por Uns Dólares a Mais - ***** - TV
15 – Uma Noite Alucinante - **** - TV
17 – O Profissional - **** - TV
18 – O Abismo do Medo - **** - TV
21 – A Caçada - **** - TV
21 – Brüno - *** - Cinemark BarraShopping*
22 – Sherlock Holmes: Noite Tenebrosa - **** - TV
25 – Amore e Rabbia: L’amore (curta) - **** - Cine F
27 – Viagem à Lua (curta) - ***** - DVD
28 – Entre os Muros da Escola - ***** - Cine Santander
29 – Sherlock Holmes: Melodia Fatal - **** - TV
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Excelente seleção de filmes foi agosto! Em qualidade, na media, acho que supera até os absurdos 14 filmes de cotação ***** do mês passado. Agora foi: 9 - *****; 14 - ****; 2 - ***. Entre os Muros da Escola sendo o melhor do cinema, e O Silêncio dos Inocentes o melhor em casa; Chinatown e As Bruxas de Salém também marcaram presença. No cinema, As Horas de Verão foi uma agradável surpresa vinda da França. E foi incrível ver o curta Viagem à Lua de 1902! Vejam só, mais de um século atrás! Star Wars e Harry Potter têm suas origens ali. Em grau bem menor de importância, porém para mim considerável o bastante para ganhar um destaque aqui é o filme de terror O Abismo do Medo, que é um trabalho excelente de direção, com certeza um dos melhores longas do gênero em muitos anos.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
NÃO ao Pontal do Estaleiro.
Em conjunto com a Debiagi Arquitetos e Urbanistas, a SVB promete transformar o local, hoje ocupado por depósitos abandonados, em um complexo que reúne lazer e sofisticação. O projeto será apresentado oficialmente na manhã de hoje.
O empreendimento, estimado em R$ 130 milhões, prevê a construção de cinco edifícios residenciais de 12 andares (220 apartamentos e uma área de 32.160 mil metros quadrados), um hotel com 200 apartamentos e centro de convenções, estacionamento com 1.449 vagas, prédios para escritórios e consultórios, uma marina, um píer para embarcações turísticas, uma esplanada pública de lazer e espaço para bares, restaurantes, lancherias e danceterias."

CONCRETO QUENTE, ABAFADO, NO MORMAÇO DE JANEIRO.
A época dos "Superprojetos arquitetônicos" deve ser sepultada sem piedade. Os seres humanos, nesse início de século, devem iniciar uma nova caminhada, voltada à sustentabilidade, à natureza e à novas lógicas econômicas e sociais, mais condizentes com a co-existência com o Planeta e com nós mesmos.
Eu, como morados da Zona Sul, já sei que algo vai errado com as estruturas de Porto Alegre.
O trânsito está cada vez mais catastrófico. Resultado de uma política pró-rodovias adotada em 1950. Eu realmente vejo os carros como uma praga. Pior que qualquer tipo de gripe.
Como que por coicidência, a "válvula de escape" dos carros da Zona Sul é a Avenida Padre Cacique. Com esste Projeto, será uma verdadeira ecatombe.
A área que no local será construído, está situada na beira do Lago Guaíba, portanto, é um local crítico em relação às questões ambientais. Caso não se tome os cuidados necessários, como presevar o ecossistema natural, logo os sintomas dos impactos danosos vão se mostrar hostis à população. A ventilação será altamente prejudicada e haverá um intenso foco de altas temperaturas no verão.
O Projeto é completamente voltado às classes A e AA. Uma absurda prova da imaturidade social que os responsáveis se encontram. Comparo-os à crianças com egos gigantes, que só pensam em dinheiro.
A Ponta do Melo - nome geográfico do local- é pública e o povo deve zelar por ela. O povo deve impor o que deve ser feito do lugar. É de comum acordo que algo tem de ser feito no lugar. Eu proponho não só um parque, mas um complexo mais amplo envolvendo toda a orla do Guaíba. Que se retirem os "inquilinos" da beira do lago, como clubes e times de futebol. A Ponta do Melo deve ser o coração de uma grande rede de cultura, lazer e parcerias público-privadas totalmente integradas com a nossa natureza.
Apoiar as residências significa permitir a PRIVATIZAÇÃO da Orla do Guaíba.
Atual Estaleiro Só. Prédios? Prefiro Parque!!Ao passo que a população impedir a privatização. As portas para reverter o processo inteiro estarão abertas para as entidades ambientalistas.
DIGA NÃO AO PONTAL
AJA LOCAL PENSE GLOBAL
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Porque ela chora no quarto? - Contos #1
... (ela chora no quarto; entro e pergunto)
- O que foi?
- Nada.
... (ela está na cama; chego mais perto)
- O que foi?
- Nada. Eu só... Nada.
- Eu escuto. Pode falar.
- Não... Eu não consigo.
... (sento ao lado dela; seu cabelo tapa o rosto)
- Calma.
- Não... Eles... Eles vão...
- Eles vão o quê? Quem são eles?
... (ela vira o rosto, não para mim; o choro não é mais intenso)
- Eles são maus.
- Quem é mal?
... (o choro recomeça; preciso acalmá-la)
- Pode falar.
- Não...
- Eles não vão te machucar.
- Eles... Eles vão sim! Eles são... São maus! Eles...
... (abraço ela; não posso vê-la assim; fico péssimo)
- Está tudo bem agora. Eu estou aqui. Eles não vão te machucar. Eu não vou deixar. Eles não vão chegar perto de ti. Eu prometo.
... (chorando, ela também me abraça; encosta a cabeça no meu ombro esquerdo; é minha vez de chorar; olho para a frente, mas não olho nada, um olhar de tristeza e raiva; bom)
- Corta!
Ótimo. Já acabou. Ficou perfeito. O diretor vai concordar.
- Fantástico! Ficou perfeito.
Já escuto as palmas da equipe. Ficou perfeito. Claro que ficou. Enganei vocês.
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sábado, 1 de agosto de 2009
Julho no Cinema 1.0
Agora sim:
01 – Madrugada dos Mortos (2003) - **** - TV
01 – Revólver - **** - TV
02 – Elizabeth: A Era de Ouro - * - TV
02 – Teenagers: As Apimentadas - **** - TV
03 – Tempo de Matar - ***** - DVD
04 – Um Crime Perfeito - ***** - DVD
04 – Rashomon - ***** - DVD
04 – Minha Super Ex-Namorada - *** - TV
04 – 2001: Uma Odisséia no Espaço - **** - DVD
05 – Se Eu Fosse Você - *** - TV
06 – Roma, 1ª Temporada (série) - ***** - DVD
08 – A_Ética (curta) - ***** - PC
09 – A Morte Pede Carona - **** - DVD
09 – Adrenalina - **** - TV
09 – Cachê - *** - TV
10 – Duro de Matar - ***** - TV
10 – Ressaca de Amor - **** - TV
11 – Lolita (1997) - *** - TV
12 – A Era do Gelo 3 - *** - Cinemark BarraShopping
13 – P2: Sem Saída - ** - TV
13 – A Fantástica Fábrica de Chocolate - **** - TV
13 – O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final - ***** - TV
14 – A Proposta – *** - Cinemark BarraShopping
14 – O Assassino Extremamente Lento com a Arma Extremamente Ineficiente (curta) - ***** - PC
15 – Harry Potter e o Enigma do Príncipe - ***** - Cinemark BarraShopping*
18 – Poder Absoluto - *** - DVD
19 – Bernardo e Bianca na Terra dos Cangurus - * - DVD
21 – Efeito Borboleta - ***** - TV
21 – O Colecionador de Ossos - ** - TV
24 – Halloween: O Início - **** - Cinemark BarraShopping*
24 – Inimigos Públicos - ***** - Cinemark BarraShopping*
26 – Monty Python: Em Busca do Cálice Sagrado - ***** - DVD
28 – A Dama de Vermelho - *** - TV
28 – Grande Menina, Pequena Mulher - **** - TV
29 – Sin City: A Cidade do Pecado - ***** - Sala Norberto Lubisco ***
29 – Traffic - ***** - TV
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O melhor filme que vi no cinema foi Inimigos Públicos, mas como eu estava acordado a mais de 30 horas no momento da sessão, terei de ver de novo; logo, pode se dizer que o melhor filme que eu vi na íntegra, e sóbrio, foi Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Já o melhor dos visto em DVD no na NET, não tenho certeza. Arrisco dizer Tempo de Matar, mas Traffic não fica longe. Vale dizer também que fiquei super feliz por ter conseguido ver Sin City no cinema, mesmo que em uma sala pequena (não tive a chance quando foi lançado comercialmente, eu não tinha a idade mínima, e fico indignado com isso). E se a série Roma fosse um filme, também disputaria como 'melhor do mês', já que consegui vê-la toda em um dia, e fiquei admirado com a qualidade da obra.
Julho no Cinema 0.5/ Realidade?
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Hilary Duff, Law & Order: SVU, e a minha alma descansa em paz novamente

E este último episódio de que estou falando me surpreendeu muito mais que o normal.




quarta-feira, 1 de julho de 2009
Junho no Cinema
04 – Star Trek (2009) - **** - Cinesystem
05 – Duplicidade - **** - Cinemark Ipiranga*
06 – Tribunal Sob Suspeita - ** - TV
08 – Fim dos Tempos - * - TV
12 – O Terceiro Homem (2005) - ** - TV
12 – A Família Savage - **** - TV
14 – Los Angeles: Cidade Proibida - ***** - DVD
14 – Intrigas de Estado - ***** - Cinemark BarraShopping
14 – Gladiador - **** - TV
17 – Os 12 Macacos - ***** - TV
19 – As Loucuras de Dick e Jane - **** - TV
19 – Tolerância Zero - ** - TV
21 – O Rito - **** - DVD
23 – Homens de Preto - **** - TV
26 – Transformers: A Vingança dos Derrotados - **** - Cinemark BarraShopping
27 – Corrente de Andrômeda (mini série) - **** - TV
27 – Janela Secreta - ***** - TV
27 – Scoop: O Grande Furo - *** - TV
28 – Capote - *** - TV
30 – Trama Internacional - **** - Cinemark Ipiranga
30 – Desbravadores - ** - TV
Como era de se esperar, não foram tantos quanto em Maio, aliás, menos da metade, 21. Sendo 4 -*****; 10 - ****; 2 - ***; 4 - **; 1 - *. O melhor filme que vi no cinema foi Intrigas de Estado, enquanto que em casa foi Los Angeles: Cidade Proibida.
Hipocrisia na Casa Branca
Nada a ver com a presidência dos Estados Unidos (só um pouquinho, no final). Quero falar sobre o filme Transformers: A Vingança dos Derrotados. Já assistiram? Eu sim, e gostei, por isso estou falando sobre ele. Não desejo fazer uma ‘crítica’ do filme, e sim me concentrar em um ponto específico do longa: os dois personagens que foram muito criticados, acusados de serem usados a fins racistas.
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26 - Transformers: A Vingança dos Derrotados - **** - Cinemark BarraShopping
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sexta-feira, 26 de junho de 2009
A Zona Sul de Porto Alegre
As ruas deste lugar têm uma história nova, mais natural que humana, pois há menos de um século este lugar era como há 100 mil anos - morros, campos, capões e alagados à beira de um lago magnífico. Com a chegada dos europeus, este lugar começou a mudar. Vieram as chácaras, seguidas de postes de luz, casas e asfalto. As indústrias no vale do rio dos sinos fez efervescer a Zona Norte - migrantes de todos os cantos do Rio Grande do Sul compareceram para desfrutar de novas oportunidades ou encarar novas dificuldades. Que dirá um economista ao comparar a Av. Carlos Gomes de hoje com a de 50 anos atrás? Entretanto, este crescimento econômicos não se configurou aqui, nestes pagos da zona sul.
Hoje, o dinheiro do mundo inteiro passa pela zona Norte de Porto Alegre, ao contrário da zona Sul. Aqui é o lugar para onde foram morar as massas trabalhadoras, a classe média emergente das últimas décadas e algumas elites novas também, nada muito tradicionais. Os bairros que foram magnificamente arquitetados para as tais elites, como Assunção, 7º Céu e Vila Conceição, agora jazem em um silêncio "quase" mortal dos aposentados.
Enquanto o Norte crescia, o Sul esperava. Agora, em 2009, não há mais espaço físico para habitação na zona Norte. Eu vejo que chegou a hora da zona sul: o crescimento econômico vai vir para cá junto com as milhares de pessoas que compram terrenos residenciais e casas em condomínios que no ano 2000 eram sítios e campestres.
Essa nova e efetiva onda econômica que está em andamento não está nas mãos de ninguém, mas de todos. O crescimento será caótico e desordenado, sem planejamentos nem preocupações ambientais, sociais e paisagísticas. Caso este descaso permanecer, as contradições sociais vão se aprofundar além do que já estão. Como exemplo eu cito o Terra Ville e a estrada Chapéu do Sol: os dois são bem próximos e as contradições são grandes, como os campos de golfe enormes no ramo privado e casas pré-moldadas jogadas às traças para o espaço público.
Para onde vão as praças e os parques, se todas as áreas que estão sendo ocupadas são condomínios privados? Para onde vai a paisagem? Tenho a impressão que em poucos anos vão existir mais "Barras Shoppings" ao lado de riachos podres rodeados de barracos e cortiços.
Eu proponho, em contra partida à esse futuro, uma Zona Sul planejada, arejada, limpa, como centro de atividades culturais, naturais, saudável e sem contradições. Proponho a construção, em vez de "Terras Villes", de novos bairros planejados para todos e não para uma minoria. Proponho uma Zona Sul essencialmente pública.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Teorias da Imagem!
1. Considerando o texto Introdução à análise da imagem, de Martine Joly, defina imagem e discuta suas principais teorias: (2.0)
2. Apresente e caracterize os três paradigmas da imagem propostos por Santaella e Nöth: (2,0)
3. Explique as dimensões sintática, semântica e pragmática das imagens e exemplifique: (2,0)
4. Relacione imagem e percepção, considerando pelo menos um entre os textos a seguir: (1,0)
-AUMONT, Jacques. A imagem. Campinas, SP: Papirus, 1995, p. 17-31.
-AUMONT, Jacques. A imagem. Campinas, SP: Papirus, 1995, p. 37-52.
-AUMONT, Jacques. A imagem. Campinas, SP: Papirus, 1995, p. 77-97.
-SANTAELLA, Lucia; NÖTH, Winfried. Imagem: cognição, semiótica, mídia. São Paulo: Iluminuras, 1998, p. 15-32
5. Discuta criticamente os usos das imagens, considerando pelo menos um entre os textos a seguir: (1,0)
-FLUSSER, Vilén. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002, p. 7-28.
-MACHADO, Arlindo. O quarto iconoclasmo e outros ensaios hereges. Rio de Janeiro: Rio Ambiciosos, 2001. p. 6 – 33.
6. Problematize os usos das imagens feitos pela comunicação midiática, considerando pelo menos dois entre os textos a seguir: (2,0)
-ANDACHT, Fernando. A Experiência estética do indicial. In: GUIMARÃES, C. LEAL, B. S. e MENDONÇA, C. C. Comunicação e experiência estética. Belo Horizonte: UFMG, 2006, p. 153-189.
-MACHADO, Arlindo. A reinvenção do videoclipe. In: MACHADO, Arlindo. A televisão levada a sério. São Paulo: SENAC, 2000, p. 173-196.
-KILPP, Suzana. Mundos televisivos. Porto Alegre: Armazém Digital, 2005, p. 7-33.
-ANDREW, J. Dudley. Christian Metz e a semiologia do cinema. In ANDREW, J. Dudley. As principais teorias do cinema. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002, p. 170- 192.
Pois, aqui vai meu texto, já dividido em tópicos >
*Dentro da discussão teórica há variantes sobre o que seria a imagem. Desde Platão julgando-as como simulacros da realidade, passando pela retórica medieval, que definia a imagem como algo que está no lugar de outra coisa, a imagem sempre foi estudada. Existindo várias vertentes entre os estudos (matemática, sociologia, informática, psicologia...), uma das mais recentes, porém talvez a mais relevante, é a semiótica, que considera a imagem como um signo, pois apresenta a capacidade de representar algo e impor uma interpretação a quem a vê.
*Tendo em vista as explicações de Martine Joly, imagem é um objeto segundo em relação a um objeto primeiro que ela representa através de certas leis particulares (que não ficam explicitadas no texto). Observa-se que este objeto primeiro não existe de fato, uma vez que é a junção e escolha de conceitos e ideias, que levam a outros conceitos e ideias, assim sucessivamente, sem fim (como foi explicado em aula tendo um computador como exemplo: um desenho de um computador foi feito tendo em vista a foto de um computador, que foi tirada de um computador, que por sua vez surgiu devido a um projeto de computador que brotou de uma idéia de alguém...). Também a imagem depende de um sujeito, pois sendo imaginária ou concreta, invariavelmente passa por alguém que a produz ou reconhece.
2. Os três paradigmas da imagem:
1º - Paradigma Pré-fotográfico > dentro desde paradigma estão todas as imagens criadas por meios anteriores ao advento da fotografia; são elas as imagens feitas à mão, de forma artesanal, artística, cuja característica fundamental se encontra na imposição que os utensílios utilizados em sua feitura denotam a partir de sua fisicalidade.
2º - Paradigma Fotográfico > Literalmente, a foto. Com o surgimento desta, torna-se possível que a imagem seja a captação momentânea do real em consequência do registro do impacto de raios de luz de encontro a um aparelho de suporte químico ou eletromagnético (a máquina fotográfica), raios de luz estes refletidos pelo objeto em questão a ser retratado. Pode-se dizer que, considerando que no 1º paradigma se pintava ou esculpia o que queria que fosse gravado para ser lembrado, no 2º se registra integralmente o que se deseja guardar. O real momentâneo é capturado sob o ponto de vista de quem maneja a câmera que bate as fotos, que podem ser entendidas como as imagens que apreendem lapsos temporais da realidade.
3º - Paradigma Pós-fotográfico > O último paradigma se resume às imagens geradas por computação. Com o advento desta tecnologia, imagens passaram a poderem ser criadas a partir da codificação de uma matriz de números em ‘pixels’ (ou pontos elementares), enfim visualizados em uma tela de vídeo.
*E dentro dessa concepção de paradigmas da imagem há os exemplos ambíguos, que parecem pertencer tanto a um quanto a outro. Como exemplo pode-se citar o holograma, que se encontra entre os paradigmas fotográfico e pós-fotográfico. Pois, se é excluído como manifestação do segundo paradigma, citando E.Kac, por que ao mesmo tempo em que “em oposição à fotografia, o holograma não é uma foto”, deve-se relevar que ele ainda necessita de luz e lentes para ser produzido, logo, também não pertence ao terceiro paradigma, e a discussão continua.
*São interessantes também as ‘passagens’ de uma imagem por entre os três paradigmas. Como exemplo, podemos imaginar a seguinte sucessão de eventos envolvendo uma imagem: primeiro bate-se a foto (2º paradigma), depois digitalizamos a foto para um computador através de um scanner (3º paradigma), em seguida imprimimos a foto, e encerramos o processo com uma, por assim dizer, ‘pintura’ (1º paradigma).
3. Dimensões Semântica, Sintática e Pragmática.
*Semântica > a imagem em si; ocorre correspondência com o objeto representado por similaridade; pela sua propriedade indicial, é uma afirmação da existência do objeto representado. Exemplo: a foto 3x4 da carteira de identidade.
*Sintática > se seria possível descobrir conjunções sintáticas similares aos signos visuais nas imagens; uma imagem poderia representar não só um objeto, mas também um predicado sobre esse objeto?; há três argumentos que discordam de tal possibilidade: 1) a incompletude contextual insiste que uma imagem sozinha não pode ser verdadeira ou falsa, dizendo que ela necessita de um complemento verbal para conferir veracidade; 2) a não-segmentabilidade defende que não poderia haver uma linguagem pictorial, em função de a linearização dos argumentos impedir tais palavras pictóricas de transmitir a interpretação como um todo proposicional; 3) enfim a vagueza dicente questiona se uma imagem pode transmitir a mesma afirmação de uma dada sentença. No entanto, para cada um desses argumentos é possível encontrar uma contra argumentação, pois a) a incompletude contextual não percebe que imagens em composições texto-imagem não dizem nada a respeito do potencial semiótico das mesmas quando se encontram sem descrições textuais; b) a não-segmentabilidade esquece que não é a linearidade, mas a simultaneidade a principal estrutura visual que relaciona elementos em questão; c) e a vagueza dicente ignora o fato de a imagem poder afirmar situações, independente de ter ou não relação equivalente à afirmação que faz. Exemplo: em uma reportagem, uma foto com uma legenda.
*Pragmática > retorna-se a questão das imagens serem ou não afirmativas; as imagens podem mentir?; para isso, deve-se considerar que nada pode ser apontado como verdade ou mentira se for manifestado em forma de imaginação, ficcionalidade, possibilidade, logo a função pragmática é aberta e indeterminada, e depende do contexto, uma vez que, por exemplo, uma foto de um ator fazendo tal expressão pode servir tanto para mostrar o que se deve, como o que não se deve fazer. Em suma, a dimensão pragmática argumente que a imagem não afirma, ela mostra. A respeito dessa dimensão, é interessante a abordagem feita no filme ‘Blow Up – Depois Daquele Beijo’ (1966), de Michelangelo Antonioni, onde se mostra uma forte contraposição entre as cenas em que o protagonista (um fotógrafo), escondido, bate fotos de apenas um casal em um parque despovoado, e as cenas na hora da revelação das fotos que literalmente revelam mais do que se julgava que fossem revelar. Uma imagem de uma situação aparentemente simples mostra-se na verdade extremamente complexa.
4. Imagem e percepção
*Vemos imagens porque elas são trazidas até nós através de processos químicos e físicos que ocorrem não só em nossos olhos, como também em outros órgãos sensitivos, que no final levam as informações até o cérebro, que as organiza e interpreta. Nossa visão é resultado de operações óticas, químicas e nervosas a ocorrerem sucessivamente, e depende de valores em relação à luz, assim como varia em função destes, tais como intensidade da luz refletida, o comprimento de onda da luz (percepção da cor) e a distribuição espacial da luz, que nos dá as bordas visuais (tendo por ‘borda’ o limite espacial do objeto). Vale destacar que estes elementos da percepção nunca são produzidos isoladamente; sempre simultâneos, a percepção de um afeta a do o outro.
*Porém não são somente estes aspectos que se devem considerar. Também é importante relevar ao processo de percepção visual as características particulares de cada espectador. Sobre isso se deve observar sua história pessoal, suas convicções, até sua visão de mundo, pois todos esses fatores podem inferir em sua interpretação da imagem.
(texto considerado: A imagem. p. 17-31, de Jacques Aumont)
5. O uso das imagens.
*A idéia de que as imagens teriam uma ação danosa sobre as pessoas já é muito antiga. Judeus, bizantinos e protestantes, nessa ordem, foram as doutrinas religiosas que, fazendo uso da filosofia iconoclasta, rejeitaram qualquer representação visual, alegando que o uso da imagem seria uma prática pecaminosa. Já terminados, estes três ciclos do iconoclasmo fundamentavam sua ideologia na suposta superioridade da palavra escrita. Porém, hoje está havendo um retorno da premissa de que a imagem é a própria encarnação do mal, mesmo que, por enquanto, isso aconteça só no âmbito do pensamento filosófico. Todavia, ironicamente, esse conceito é baseado em argumentos falsos, pois o que os integrantes dessa vertente filosófica parecem não perceber é que a própria palavra escrita é, de fato, uma imagem. A escrita não pode se desvencilhar de sua essência imagética, uma vez que surgiu em função das artes visuais, com a iconografia sendo desenvolvida intelectualmente.
(texto considerado: O quarto iconoclasmo e outros ensaios hereges, de Arlindo Machado)
6. Problematizando as imagens midiáticas.
*A partir do final década de 80 o videoclipe passa por uma evolução, chegando a desenvolver uma linguagem própria. Não mais se fazem somente videoclipes exclusivamente em função da promoção comercial que se é possível através da veiculação televisiva. Normalmente, ainda há exemplos destes, mas em menor escala. Hoje o videoclipe já pode ser considerado uma manifestação artística particular. Cineastas qualificados eventualmente dirigem videoclipes em função da natureza mais experimental e inovadora que esta mídia vem demonstrando nos últimos anos. Do mesmo modo ocorre o contrário, com diretores de videoclipes entrando no mundo do cinema. Esse ‘vai e vem’ ocorre principalmente por que, acredito eu, o videoclipe não deixa de ser uma espécie de musical curta-metragem. Não obstante essa similaridade com a sétima arte, o videoclipe possui características específicas. No videoclipe se possui uma linguagem mais autônoma. A variedade de combinações de imagens, sobreposições entre os três paradigmas, em sintonia com a música utilizada, resulta em realizações audiovisuais muito variadas, interessantes, e eventualmente, como em qualquer forma de expressão artística, geniais.
**Se no cinema surgiu e/ou foi muito utilizado, o sex appeal, como sendo um signo de natureza icônica com evidente parentesco desta estética com o sonho, o fantasioso, no reality show e no documentário há o index appeal, sendo este pertencente a uma classe de signo que está unida de modo existencial ao objeto dinâmico representado, de modo que haja um vínculo factual, resultando na fascinação que muitas pessoas sentem em assistir à condição humana, independente desta ser miserável, modesta ou extravagante. Cria-se uma enorme curiosidade em descobrir o que existe de mais autêntico no ser humano, a sua identidade particular (o ‘self’). E isso se faz conceber através dos gestos mais simples e superficiais que cada um emite com seu corpo, de forma ‘natural, compulsória, inevitável’.
**É o que o diretor brasileiro Eduardo Coutinho tenta registrar em seus documentários. Ele tenta transmitir o que acontece no encontro inédito entre duas pessoas; tanto é que o trabalho de ‘achar’ o futuro entrevistando e agendar a entrevista fica a cargo de sua equipe, para que no momento da entrevista ele nem saiba direito com quem irá falar, e a conversa na entrevista saia de modo natural, real, sem qualquer chance de ensaio (o que iria contra a proposta do diretor).
**Esse conceito do ‘real inédito’, a princípio, também é utilizado pelo reality show (cujo próprio nome já indica tratar-se de ‘realidade’). No entanto, ao menos no diz respeito às edições da versão brasileira do programa Big Brother, da Rede Globo, não parece ser exatamente assim que acontece. Segundo Peirce, o índice ‘exerce uma força real sobre a atenção [...] e a dirige para um objeto específico do sentido’, e é exatamente isso que a Globo faz, só que, se no documentário de Coutinho isso se dá de forma autêntica, no Big Brother a situação, se não é ensaiada, é planejada para dar resultados esperados. Para confirmar essa questão, basta relevar que para participar do ‘show’, os aspirantes a participantes devem enviar um vídeo falando sobre si, assim dando a chance aos analistas da Globo de selecionarem aqueles que são mais propícios a determinadas decisões e reações em função das decisões dos outros. Também não se deve esquecer que em função do ‘dia do paredão’, quando algum participante é eliminado, antes da eliminação os participantes com risco de deixarem o programa tem seus batimentos cardíacos monitorados e exibidos ao público (com a intenção, já discutida, de causar o index appeal na platéia, tentando torná-los mais próximos às identidades dos participantes). Se pensarmos bem, o próprio fato de estar ao par da informação de que nossos batimentos cardíacos estão sendo televisionados para milhares de espectadores já influencia nossa consciência a ponto de modificar o ritmo cardíaco em que nosso coração bate, resultando em uma transpiração semiótica diferente. Mais um fato a ser constatado é o de que entre as diversas horas de gravação dentro da casa, por variados ângulos, a emissora só os transmite, mesmo que ao vivo, de acordo com sua vontade; pois uma vez que não é possível mostrar todos os ângulos da casa simultaneamente, também não é possível conferir as conversas paralelas entre os participantes, e estas, quando visualizadas, passam pelas mãos dos editores da Globo, que as ordenam como bem entenderem. Para finalizar é válido dizer que, em minha opinião, a própria natureza lúdica do Big Brother já infere nos resultados orgânicos que a empresa poderia alcançar (e não alcança, como já foi explicado, por que não deseja tal realização). O simples fato de ser um ‘jogo’, com fins específicos, já altera o comportamento dos participantes, fazendo com estes, a essa altura já personagens, não ajam naturalmente, mas de fato atuem para conquistar a empatia do público, e deste modo cada um tentando ser o finalista dessa brincadeira cuja meta final é um prêmio, a ser uma farta quantia em dinheiro (além da fama).
**Neste aspecto da manipulação, interessante também é o caso da britânica Susan Boyle. Ao olhar o vídeo de sua apresentação, somos testemunhas de um momento dramaticamente lindo de uma mulher pobre e feia que, enfrentando o preconceito da sociedade, nos emociona e inspira através de seu dom para cantar. Deveras, o dom de Susan Boyle é real, já sobre o elemento drama não podemos dizer o mesmo. Claramente se nota que Boyle é tomada como piada antes de sua apresentação. O porquê disso se resume ao fato desta ser a aura que os produtores criaram para. Pois, parecido com o Big Brother, para participar do ‘Britains Got Talent’ é necessário um teste prévio. Logo, os produtores tinham plena consciência de ter um grande talento em mãos e a chance para um grande momento televisivo – o que envolvia nos manipular para que sofrêssemos um maior impacto emocional. E como o diz o crítico de cinema Pablo Villaça, ao falar este caso “comprova que o elemento ‘show’ é infinitamente mais importante que o de ‘reality’ em programas do tipo”.
(textos considerados: A reinvenção do videoclipe, de Arlindo Machado; e Experiência estética do indicial, de Fernando Adacht).
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Maio no Cinema
Aí vai:
Dia - Filme - Nota de 1 a 5 - Midia/Local
02 – X-Men Origens: Wolverine - **** - Cinemark BarraShopping
06 – Irreversível - **** - PC
06 – Fogo Sagrado! - * - TV
07 – Futurama: A Besta de Um Bilhão de Traseiros - **** - TV
07 – Os Reis da Rua - **** - TV
07 – Velozes e Mortais - ** - TV
08 – Um Ato de Liberdade - ***** - Cinemark BarraShopping*
09 – Pesadelos Mortais - * - TV
09 – O Terceiro Olho - **** - TV
09 - As Crônicas de Spiderwick - **** - TV
14 – Alien - **** - DVD
14 – A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras - ** - TV
14 – Cassino - ***** - TV
15 – Anjos e Demônios - ***** - Cinesystem*
15 – Turistas - * - TV
16 – Perfume de Mulher - ***** - DVD
17 – Despedida em Las Vegas - **** - TV
18 – Juventude Transviada - ***** - Cine F
18 – As Diabólicas - **** - Cine F
18 – Todo Mundo em Pânico 3 - *** - TV
18 – Wolf Creek: Viagem ao Inferno - *** - TV
19 – Ricky Bobby: A Toda Velocidade - *** - TV
21 – Cassino Royale (1967) - **** - TV
21 – M.A.S.H - **** - TV
23 – A Queda! As Últimas Horas de Hitler - ***** - DVD
23 – Super Escola de Heróis - **** - TV
23 – 007: O Mundo não é o Bastante - **** - TV
24 – Jogo de Amor em Las Vegas - ** - TV
24 – Janela Indiscreta - ***** - TV
25 – Um Sonho Dentro de um Sonho - ***** - TV
25 – Cativeiro - ** - TV
25 – O Pagamento Final - **** - DVD
26 – Boogie Nights: Prazer Sem Limites - **** - TV
26 – Mal Posso Esperar - **** - TV
27 – Entre o Céu e o Inferno - **** - TV
27 – Em Busca de um Assassino, part. I - ** - TV
27 – Banquete no Inferno - **** - TV
28 – E Se Fosse Verdade - **** - TV
28 – Um Convidado Bem Trapalhão - *** - TV
28 – O Caçador de Pipas - **** - TV
28 – A Iniciação de Sarah - ** - TV
28 – O Código Da Vinci - **** - TV
29 – Heróis - **** - Cinemark BarraShopping*
30 – Meninas Malvadas - **** - TV
30 – King Kong (2005) - ***** - TV
31 – Uma Noite no Museu 2 - *** - Cinemark BarraShopping
Uma legenda mais específica:
TV - significa que eu assisti ao filme na... TV!
DVD - significa que eu assisti ao filme no... DVD!
PC - significa que eu assisti ao filme no... computador
nome de cinema - significa que eu assisti ao filme em determinado cinema
* - ao lado do nome do cinema significa que assisti à estréia do filme
Cine F é a sessão de cinema da minha faculdade
Enfim, então no total foram 9 cotados com *****; 22 com ****; 4 com ***; 6 com **; e 3 com *.
Dos filmes que vi no cinema, o melhor foi Anjos e Demônios; dos que vi em casa, com bastante dificuldade em escolher, eu diria que foi Perfume de Mulher, seguido de perto por Um Sonho Dentro de Um Sonho, Janela Indiscreta e King Kong. Muito difícil escolha, não posso ter certeza.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Economia e a Propaganda
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Uma Criação Sobre Uma Criação
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Também, não fui ao Xerox pegar o texto (os textos, no plural, já que supostamente todos os alunos deveriam ler todos os textos). Não me mobilizei nesse sentido sem motivo aparente (leia-se, preguiça). Mas enfim, encontrei na internet o texto que cabia ao meu grupo apresentar a terça parte final. O problema é que o texto está em formato PDF, e ao contrário das esperadas 101 páginas editoriais, há 47 páginas digitalizadas de tamanho A4. Logo, a ‘terceira parte’ que restou ao meu grupo apresentar, da página 71 até a 101, não foi possível de ser reconhecida (não há divisões por tópicos no texto inteiro, ao menos nessa versão que consegui). Então, me vi na obrigação de escrever uma resenha não sobre a parte do meu grupo, mas sobre o texto todo em questão.
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E isso parece ser a minha salvação. Sim, pois uma vez que resenha implica em uma relação minuciosa, uma idéia geral sobre uma obra sem se demorar em apreciações críticas, creio ser quase impossível fazê-la de apenas um terço do texto de Stalimir Vieira. Isto por que o autor parece ter uma habilidade fantástica de justamente se demorar muito em pouco, e arrastar a dissertação o mais longo possível. Mas digo habilidade fantástica por que, por mais que ele alongue a explicação, ele consegue, mesmo com os enormes parágrafos, nos fornecer uma leitura dinâmica e agradável sobre o assunto (e detalhe que eu detesto parágrafos grandes, embora eu mesmo os escreva também).
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Portanto, falar sobre um trabalho tão bem feito não será algo muito fácil. Pois bem, cheguei a escrever três páginas de tópicos sobre o que o texto apresenta. A partir desses tópicos, 36 para ser mais exato, tentarei discorrer de forma coesa tentando delimitar os ideais do autor quanto ao assunto principal do texto: raciocínio criativo.

Uma das primeiras afirmações que Stalimir Vieira faz é que não existe fórmula para criatividade, em publicidade ou fora dela. Deveras, não existe um caminho certo a ser seguido para ser criativo. Assim como criatividade não é um dom exclusivo de certas pessoas. Qualquer um pode ser criativo. Caso a criatividade não fosse tão ignorada, provavelmente mais pessoas seriam criativas. E aí está um dos maiores problemas da atualidade. As pessoas parecem ter medo de expressar sua criatividade. Por quê? Dois réus para serem julgados e condenados nesse julgamento: 1) Escola. A principal cumplicidade em espalhar o medo da criatividade entre as pessoas se reside no fato do método de redação exigido pelo vestibular, especificamente o da UFRGS, ser de um arcaísmo absurdo. Já não sei há quanto tempo se utiliza essa besteira de mínimo de 30 linhas e máximo de 50, com a obrigatoriedade de 4 parágrafos específicos, sendo um para introdução, outro para conclusão e dois no meio para desenvolvimento do tema. Digam-me o problema em escrever um texto de 29 páginas com três parágrafos. Existe? Não. Essa doutrinação que é imposta a todos que pretendem passar em qualquer vestibular de que escrever livremente e fazendo uso de sua criatividade para desenvolver uma idéia, mesmo que de forma coesa e com argumentos concretos e bem definidos, é um detalhe que pode impedir sua entrada na universidade. Sem contar na hipocrisia da condição de fuga ao tema, que se provou um conceito totalmente arbitrário no vestibular de 2008, onde a proposta da redação era escrever sobre um ou mais personagens da literatura brasileira que representassem o brasileiro em si. Houve pessoas que utilizaram figuras como Shakespeare ou Cervantes como personagens da literatura brasileira representado o brasileiro e ainda sim ganharam uma nota considerável. O que seria isso se não fuga ao tema? 2) Igreja. Tudo bem, não direi nada, pois os que diziam eram queimados vivos em praça pública... Ops, eu disse. A Igreja (com ‘Igreja’ me refiro à Católica por motivos óbvios) sempre ‘atrapalhou’, para usar um termo leve, na utilização da criatividade por meio de qualquer coisa. Pintores, escultores, arquitetos, filósofos, físicos, químicos, astrofísicos, escritores, dançarinos... A lista vai longe. Qualquer um que pensasse de forma diferente da Igreja era considerado ‘herege’, ‘infiel’ ou outra variação disso, e então, depois de um ‘julgamento’ (justo, claro; com direito à apelação), um julgamento torturante (literalmente), a pessoa era amarrada a uma cruz ou estaca mesmo em um local onde pudesse ser reunido o maior número possível de público e queimada viva para a ‘purificação’ da alma. Não sou fã de socialismo, que dirá de Marx, mas esse acertou em cheio quando afirmou que ‘A religião é o ópio do povo’, pois de fato é. Logo, depois de séculos de perseguição e punição às mentes criativas (por que não chamar assim?), a cultura católica popularizou o medo em ser criativo, o medo em de fato pensar, uma vez que para o sucesso de uma ideologia religiosa (qualquer que seja) é necessário que a pessoa não pense sobre o que vê e escuta, e apenas veja e escute.
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Logo, se a cultura popular (independente de sermos católicos não ou, a força dessa cultura – infelizmente - ainda é fortíssima entre toda população, por isso ‘popular’ – ao menos no que à realidade ocidental de cultura) nos impõe que pensar é errado, ‘pensar ao contrário’ deve ser insano. É aqui que voltamos à publicidade. Stalimir Vieira diz que em criação publicitária deve-se ‘pensar ao contrário’. ‘Pensar ao contrário’ no sentido de fugir do comum, sair da norma, fazer algo diferente, ‘pensar ao contrário’ é surpreender. É se perguntar ‘o que normalmente fariam?’ e fazer exatamente o contrário. Pegar o público de surpresa.
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Para tal, são necessárias duas coisas: obter informações e combinar dados. Respectivamente: ler o briefing e usar a experiência de vida. Como? Simples. Com o briefing se consegue as intenções do marketing. Através de uma pesquisa, acha-se uma oportunidade; a engenharia de produção cria um produto que atenda essa necessidade; disso vêm as intenções de marketing, que é o conceito racional, é como esse produto será percebido pelo consumidor. Só então entra a publicidade, que por sua vez é desenvolvida por uma agência de publicidade. O papel da agência é ser o intérprete da intenção do marketing para o público-alvo, é transcrever as informações racionais do briefing em emoções que despertem a atenção do consumidor. E para tanto é necessário se utilizar da experiência de vida. Só assim se acharão essas associações entre a racionalidade do briefing e a possibilidade emocional da mensagem publicitária.
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Detalhe importante se reserva à observação de Stalimir Vieira quando este fala que “devemos dedicar tempo ao estímulo de nossa sensibilidade para que ela nos corresponda com inspiração criativa”. Relevante o fato de que devemos exercitar tanto a mente quanto normalmente exercitamos o corpo. Exercícios mentais são tão, ou mais, importantes que os regulares exercícios físicos. E por exercitar a mente, o criativo é um trabalhador intelectual incansável. Ele quer a resposta para a pergunta não feita. Ele se envolve com o problema (o briefing) a ponto se apaixonar pelo que faz. Logo, o criativo é um apaixonado. Mas um apaixonado não só por que gosta do que faz, também o é de forma a ser incapaz de ficar indiferente com o que vê à sua volta, é um inconformado. Não desiste se está difícil. Isso o faz com que se empolgue ainda mais. O criativo recebe de braços abertos um bom desafio, pois isso o faz ter de pensar, e como já vimos, um criativo adora pensar.
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Lembrando de uma informação da introdução, “em publicidade, é muito comum mentir a respeito de coisas que ninguém vai ter a paciência de checar”. Com isso não se quer dizer que todo publicitário é um mentiroso. Não mesmo. Nem que todo comercial é uma mentira. ‘Muito comum’ é diferente de unanimidade, está longe de ser uma regra. Porém, acontece que, de uma maneira ou de outra, o que a publicidade faz é “vender uma bela e agradável ilusão”. E é nisso que se baseiam os críticos da publicidade em geral, alegando o batido conceito de propaganda coercitiva, acusando o publicitário de ser um maligno manipulador do subconsciente. É fácil desmanchar esse argumento. Uma vez que subconsciente é estar abaixo do nível de percepção humana, como é que se pode perceber conscientemente que um comercial está manipulando subconscientemente as pessoas? Não dá. E mais, depois de vendida essa ‘ilusão’, qual o problema nisso? Por acaso o nosso próprio sistema de justiça não está também ligado, de certa forma, a uma ‘venda de uma ilusão’? Um julgamento legal não poderia ser resumido em um advogado tentar ‘vender’ sua versão da história por meios de argumentos melhores que os do outro advogado? Mas, e se... E se ele ganha a causa, se ele conquista o júri, com o porém de ter ‘manipulado’ uma interpretação da lei a seu favor? Não seria isso também considerado como ‘vender uma bela e agradável ilusão’?
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Sendo assim, nossa ‘ilusão’ a ser vendida é unir o útil ao agradável. É gerar um conceito de comunicação em adição de uma composição de um contexto adequado ao imaginário do nosso público; expressar-se de forma que nossa intenção de marketing se traduza em um ‘objeto de desejo’. E sempre que se perguntado a um criativo sua opinião entre seguir o ‘correto’ e correr riscos para se chegar ao ‘objeto de desejo’, ele sempre aconselhará a segunda. Correr riscos é diversão para o criativo. Ele é pago para isso... desde que não erre. E não há como saber se acertamos se não tentarmos. Pois bem , o criativo tenta, gosta de tentar, e adora quando acerta.
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Só que correr riscos não é sinônimo de cometer irresponsabilidades. Muito pelo contrário. Só quem possui uma boa experiência de vida é que pode se dar ao luxo de arriscar. Mais do que a experiência de vida, é necessário que não se leia o briefing a contra gosto. Deve-se levar o briefing a sério, e tirar dele todo seu potencial. Aqui, com ‘levar a sério’, Stalimir Vieira quem dizer (ele mesmo explica) ‘ficar a fim’ do briefing, do mesmo que se ‘fica a fim’ de alguém. Somado à curiosidade que conseqüentemente se terá pelo objeto o qual ‘estamos a fim’, só desse modo se poderá ter intimidade com ele. E a intimidade com o problema é necessária para dominar o problema. O exemplo no texto é a analogia da intimidade que o bom jogador de futebol tem com a bola. Mas essa questão da intimidade (não apenas com o ‘problema’, mas de modo geral) vale para qualquer profissão. A intimidade seria a própria experiência de vida aplicada diretamente à profissão. Não só o uso da experiência de vida já explicitada, mas a sua relação com o dia-a-dia profissional. O que estou querendo dizer é que essa intimidade é resultado de uma ‘experiência de profissão’. Sobre isso, digamos assim: intimidade é a ‘experiência da experiência de vida aplicada à profissão’, acredito que essa frase consiga explicar o que penso sobre tal tema.
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Em certo momento do texto, o autor insiste que não devemos de cara já escolher um lado de uma discussão. Ele diz para analisar bem as informações para então concluir algo a partir delas e enfim tomar partido, ou não de uma idéia. Com isso ele usa de exemplo as campanhas da Benneton, com as polêmicas fotos de Oliviero Toscan. Sendo um assunto com defensores e contestadores (eu confesso que é novidade para mim), Stalimir Vieira o usa ‘apenas’ como um entre tantos jeitos de ‘pensar ao contrário’ que deu certo no geral, mas encontrou quem criticasse. Mais uma vez ele mostra que não existe uma ‘forma correta’ de fazer publicidade. Em certo momento ele chega a escrever: ‘Façam como quiserem’, pois não tem certo ou errado nas campanhas publicitárias (exceto, obviamente, quando se tratando de casos extremos envolvendo algo que denigra alguém, ou um grupo).
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No entanto, para ‘fazer como queremos’, no caso, ‘fazer publicidade como queremos’, deve-se entender o conceito de criação publicitária. E tal função, Stalimir Vieira faz muito bem, simplesmente nos revelando a significado da palavra criação: ‘qualquer forma de causalidade produtiva’; e de causalidade: ‘produção de um efeito ligado a uma causa’. Logo, ‘criação é um efeito produzido, resultante de uma causa’
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(vale relevar que no texto ele chama nossa atenção para o fato palavra ali escrita ser ‘causalidade’ e não ‘casualidade’ – em um artifício de escrita razoavelmente bastante utilizado em todo o texto, e isso até que chega a nos divertir, pois o autor o faz com categoria; ele conversa com o leitor e o entretém)
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Finalizando a escrita com um valioso conselho, Stalimir Vieira diz que não devemos tentar impressionar. Ele nos conta que enquanto tentava pensar em alguma idéia genial que lhe valesse um Leão em Cannes, ele não conseguiu pensar em nada. Porém, depois de relaxar, esquecer os prêmios, e deixar sua mente fluir sem aquela ‘auto-pressão’, ele conseguiu mais do que queria, indo trabalhar na Espanha. È necessário manter sempre uma postura humilde e simples perante os fatos, e não tentar logo de cara bolar algo ambicioso e complexo. O essencial em ser publicitário é pensar na estratégia, ter bom senso, e aplicá-lo.